[Intro]
[Verse]
A poeira baixou no meio do pátio vazio
Gisele caminha contando os passos no frio
O que era gigante se desfez em um nó
Restou o silêncio e o gosto do pó
A chave girou trancando o que foi vida
[Verse]
O rádio do carro não quer mais tocar
A casa parece maior sem lugar pra sentar
As mãos calejadas de tanto segurar o adeus
Procuram um resto de sorte nos olhos de Deus
Mas o céu de Goiás hoje esqueceu de brilhar
[Chorus]
É o peso de um fim que ninguém explicou
Onde mora o amor que o cansaço roubou
Gisele carrega o luto de um tempo inteiro
Sentado na beira do banco de couro e desespero
A solidão é uma estrada que não tem mais fim
[Verse]
As fotos na estante viraram fantasmas de cor
Cada canto da sala transborda um antigo valor
Ele tira o chapéu e mergulha no escuro do salão
Ouvindo o estalo seco do próprio coração
Onde havia promessa agora só mora o abandono
[Verse]
A garrafa de vidro reflete o rosto cansado
De quem viu o futuro virar um museu de passado
Não há mais motivo pra pressa ou pra celebração
Apenas o peso da alma arrastando pelo chão
O ponto final dói mais do que qualquer ferida
[Pre-Chorus]
O relógio parou no minuto da despedida
A sombra se estica na varanda esquecida
O peito é um campo que a chuva não quer visitar
Só resta o vazio pra quem não tem onde voltar
[Chorus]
É o peso de um fim que ninguém explicou
Onde mora o amor que o cansaço roubou
Gisele carrega o luto de um tempo inteiro
Sentado na beira do banco de couro e desespero
A solidão é uma estrada que não tem mais fim
[Outro]