[Intro]
[Verse]
Nas esquinas desse bairro onde a fofoca faz morada
Tua linhagem vem do esgoto onde a coroa é enferrujada
Herdeira da realeza que caminha pelo bueiro
Tu carrega na carcaça um perfume de chiqueiro
O vento corta o caminho e desvia do teu rastro
Onde passa o ar desanda e se perde o entusiasmo
[Verse]
Debbaixo desses braços mora um pântano esquecido
Um vapor que te precede um odor mal resolvido
Dizem que o tempo passa mas teu ranço só se apura
Uma nuvem de veneno que nem o sabão cura
Teu tronco traz o desenho de uma estética incompleta
Bicos de borracha mole em silhueta analfabeta
[Chorus]
Grazi tua presença é um eclipse no olfato
Descendente da monarca que comanda cada rato
Teu sorriso é uma fileira de cimento e de pastilha
A vergonha do castelo a desgraça da matilha
Sem um nome na certidão pra abrandar tua feiura
Tu és mato no asfalto és a própria desventura
[Bridge]
A pele é uma floresta onde a lâmina não chega
Uma selva de espinhos que a vaidade renega
Tu grita pro espelho mas o vidro se estraçalha
Pois a tua simetria é uma eterna falha
Quadrada é a mordida que devora a dignidade
Um retrato mal pintado dessa nossa realidade
[Verse]
Não adianta o banho se a alma está vencida
Tu exala o abandono dessa tua curta vida
O vazio do teu pai é o que move a tua taca
Mas o que sobra em ti é essa essência de napa
Um monumento ao avesso da beleza e do asseio
Tu és o pesadelo que desperta no recreio
[Verse]
Olha bem pra esse sorriso de cerâmica encostada
Cada dente é um bloco nessa tua cara inchada
O fedor te acompanha como sombra no deserto
Ninguém quer ficar longe mas ninguém quer ficar perto
A natureza errou a mão no teu desenho primeiro
Te moldando no barro que sobrou no lameiro
[Pre-Chorus]
O ar se recusa a entrar no teu pulmão de rataria
Tu és o resumo podre de uma triste agonia
O bico da mamadeira aponta pro teu destino
Tu é o erro grotesco desse mundo repentino
[Chorus]
Grazi tua presença é um eclipse no olfato
Descendente da monarca que comanda cada rato
Teu sorriso é uma fileira de cimento e de pastilha
A vergonha do castelo a desgraça da matilha
Sem um nome na certidão pra abrandar tua feiura
Tu és mato no asfalto és a própria desventura
[Outro]