[Verso 1]
Na porta daquele colégio,
a chuva não dava descanso.
Eu vigiava o guarda-chuva,
com cara de quem estava manso.
Entrei pra escolher o destino,
fazer minha parte, votar.
Mas foi uma coisa pequena
que fez a pergunta acordar.
[Verso 2]
Vi minha escolha na tela,
confirmei minha intenção.
Mas como confiro o caminho
do voto até a apuração?
Saí segurando meu cabo,
a chuva batendo no chão.
O pano eu sabia onde estava…
E o caminho da minha decisão?
[Refrão]
Guarda meu guarda-chuva,
que eu guardo a minha razão!
Meu voto fica em segredo,
minha dúvida, não!
Se eu posso escolher o rumo,
posso pedir explicação.
Cidadão não é criança
pra viver de “sim, patrão”!
[Verso 3]
É delicada a maneira
de mandar a gente calar:
um sorriso, uma palavra,
“deixa que alguém vai cuidar”.
Sou adulto quando pago,
soberano pra escolher.
Mas, na hora da pergunta,
sou pequeno pra entender?
[Ponte — falada, com a banda marcando]
Chamem de civil law,
chamem de tradição:
lei que fala pelo povo
tem que ouvir o cidadão!
Não me basta uma palavra
que eu não possa compreender.
A confiança cria raízes
quando encontra o que entender.
[Refrão]
Guarda meu guarda-chuva,
que eu guardo a minha razão!
Meu voto fica em segredo,
minha dúvida, não!
Se eu posso escolher o rumo,
posso pedir explicação.
Cidadão não é criança
pra viver de “sim, patrão”!
[Final — crescendo]
Eu cuidando do guarda-chuva…
Que ironia, que ironia!
Foi com medo de perder um pano
que a pergunta ganhou ousadia.
Voltei molhado pra casa,
mas trouxe acesa a rebeldia:
um cidadão puto,
num ato puro de cidadania