[Introdução - Instrumental]
[Sons de vento nas folhas, o rugido distante de um trovão e o farfalhar da mata]
[Verso 1]
Antes do tempo ter nome, no sopro de Monã
Nasceu o céu, a terra e o brilho da manhã
No estalo do relâmpago, a voz que faz tremer
É Tupã cruzando as nuvens, fazendo a vida erguer
Guaraci incendeia o dia, o Sol que dá o calor
Enquanto Jaci de prata cura a noite e a sua dor.
[Refrão]
Eles marcham nas sombras da mata fechada
São os olhos da terra na noite calada
Quem destrói o verde vai ter que pagar
Os guardiões do Brasil estão a vigiar!
Ecoa o tambor, a floresta acordou
O chão vai tremer por onde o fogo passou!
[Verso 2]
Pegadas invertidas enganam o caçador
Cabelo de fogo, o terror do invasor
O Curupira assobia, confunde a direção
Quem caça por ganância não encontra salvação.
Montada no queixada, a Caipora vem atrás
Cobrando o respeito que o homem já não traz.
[Refrão]
Eles marcham nas sombras da mata fechada
São os olhos da terra na noite calada
Quem destrói o verde vai ter que pagar
Os guardiões do Brasil estão a vigiar!
Ecoa o tambor, a floresta acordou
O chão vai tremer por onde o fogo passou!
[Ponte]
Olha o vulto na névoa, o veado que reluz
É Anhangá de olhos acesos, o espírito que conduz
Protege a mãe e o filhote da bala do predador.
E no fundo do rio corre um canto de pavor...
Iara chama nas águas, a mãe desse igarapé
Afunda o barco da morte, renova o mistério e a fé!
E se a mata arder, o céu vai clarear...
A cobra de fogo, o grande Boitatá!
[Solo de Flauta de Bambu e Tambores Crescentes]
[Refrão Final]
Eles marcham nas sombras da mata fechada!
São os guardas da vida, da terra sagrada!
Se o machado tomba a árvore, a terra vai chorar
E a força antiga do chão vai se levantar!
Ecoa o tambor, o Brasil acordou
A força dos deuses nunca se apagou!
[Outro]
A floresta respira...
[Som de vento diminuindo]
O Curupira vigia...
[Um assobio agudo e distante na mata]
A terra é deles.
[O tambor bate uma última vez e silencia]