Lá no interior de Contenda,
Numa casinha simples nasceu,
Um menino de olhar sereno
Que cedo a vida conheceu.
Aprendeu que o pão da mesa
Vem da força de quem lutou,
E ainda muito jovem
No trabalho se entregou.
O tempo foi passando ligeiro,
Veio a farda, o quartel, a missão,
Disciplina moldando o homem,
Coragem dentro do coração.
Depois voltou pra velha estrada,
Pra empresa que o acolheu,
E por mais de quarenta anos
Sua história ali escreveu.
Foi guardião das madrugadas,
Companheiro da solidão,
Enquanto a cidade dormia
Ele velava com dedicação.
Na noite fria fez seu destino,
Sem nunca desistir da luta,
Homem simples, trabalhador,
Daqueles que o tempo não apaga nunca.
Quantas luas viu sozinho,
Quantos cafés pra despertar,
Quantas vezes viu o sol nascendo
Sem ter tempo de descansar.
A noite virou companheira,
O silêncio virou irmão,
E a vida seguia firme
No compasso da obrigação.
Agora veio a aposentadoria,
E um novo tempo começou,
Trocar a noite pelo dia
Foi desafio que chegou.
Estranha o barulho da rua,
O sol entrando pela janela,
Pois seu relógio era da madrugada
E a lua sua sentinela.
Foi guardião das madrugadas,
Companheiro da solidão,
Enquanto a cidade dormia
Ele velava com dedicação.
Hoje aprende uma nova vida,
Sem sirene e sem plantão,
Mas carrega no peito a honra
De quem venceu pela profissão.
E quando alguém contar sua história,
Vai lembrar com admiração,
Do homem que venceu a vida
Com trabalho e dedicação.
Porque existem heróis discretos
Que não aparecem na televisão,
Mas deixam sua marca eterna
Na força do coração.