[Intro]
[Verse]
O sol aponta na fresta da cortina
Isaac nem se mexe sob o cobertor
A rotina é uma neblina que desatina
Fugindo do suor e de qualquer labor
De segunda a sexta o tempo não caminha
Ele assiste a vida da beira do sofá
A vontade de fazer é sempre curtinha
Deixa o destino ver onde vai dar
[Verse]
Segunda-feira o despertador suplica
Mas ele encontra o botão de silenciar
A preguiça é uma herança que se aplica
No hábito constante de apenas esperar
Terça e quarta passam num desfile lento
Quinta-feira é o ensaio pro nada fazer
Sexta chega carregada pelo vento
Sem nenhuma vitória pra ele colher
[Chorus]
Isaac guarda o esforço num cofre trancado
Fez da lerdeza o seu hino e sua bandeira
O calendário parece estar sempre parado
Enquanto ele evita qualquer barreira
Na lida do mundo ele não põe a mão
O ócio é a regra e o coração diz amém
Vive flutuando na própria omissão
Sem dever favores pra mais ninguém
[Bridge]
O relógio da sala parece cansado
De marcar as horas que ele não usou
Cada compromisso foi logo adiado
No mar da inércia ele se batizou
Não há urgência que mude esse norte
Não há chamado que o faça correr
Ele espera sentado pela boa sorte
Sem ter o perigo de se arrepender
[Verse]
Sábado surge com brilho de feriado
Finalmente a pausa que ele tanto quis
O descanso agora é oficializado
Nesse roteiro ele se sente feliz
Domingo é o trono de quem não se cansa
De passar o dia olhando pro teto
A calmaria é sua única esperança
Num mundo que cobra o plano completo
[Pre-Chorus]
O suor alheio não o contamina
Ele prefere a sombra e o travesseiro
A jornada inteira ele declina
Pra ser do desleixo o herdeiro primeiro
[Chorus]
Isaac guarda o esforço num cofre trancado
Fez da lerdeza o seu hino e sua bandeira
O calendário parece estar sempre parado
Enquanto ele evita qualquer barreira
Na lida do mundo ele não põe a mão
O ócio é a regra e o coração diz amém
Vive flutuando na própria omissão
Sem dever favores pra mais ninguém
[Outro]