[Intro]
[Verse]
Sinto o cheiro da terra molhada no portão
Aquela bicicleta velha encostada no porão
O rádio de pilha chiava o hino do domingo
E o tempo passava como um rio indo e vindo
As mãos do meu pai sujas de graxa e de lida
Escreviam a história mais bonita da minha vida
[Verse]
O café coado no pano trazia o sol pra cozinha
A voz da minha mãe era a paz que eu tinha
As ruas de paralelepípedo guardam meus passos
Onde o medo morria dentro de um abraço
Tudo era imenso no meu olhar de menino
Sem saber que a saudade traçava o destino
[Chorus]
Onde foi parar aquele brilho no olhar antigo
Aquele jeito simples de chamar qualquer um de amigo
O relógio da matriz parece que parou na praça
Enquanto a juventude feito fumaça logo passa
Ficou o gosto amargo do que não volta mais
E o silêncio pesado desses dias desiguais
[Verse]
As cartas guardadas no fundo de uma gaveta
Têm a tinta gasta de uma caneta preta
Palavras de amor que o vento não carregou
Retratos amarelados de quem nunca nos deixou
A sombra da mangueira ainda refresca a memória
Mas sou apenas um rastro dentro da própria história
[Verse]
Hoje as luzes da cidade tentam me enganar
Mas não apagam o brilho que vi naquele lugar
O progresso corre e atropela o sentimento
Deixando a gente perdido no meio do movimento
Queria ser o rastro de poeira daquela estrada
Pra encontrar o sossego no fim da caminhada
[Chorus]
Onde foi parar aquele brilho no olhar antigo
Aquele jeito simples de chamar qualquer um de amigo
O relógio da matriz parece que parou na praça
Enquanto a juventude feito fumaça logo passa
Ficou o gosto amargo do que não volta mais
E o silêncio pesado desses dias desiguais
[Chorus]
Onde foi parar aquele brilho no olhar antigo
Aquele jeito simples de chamar qualquer um de amigo
O relógio da matriz parece que parou na praça
Enquanto a juventude feito fumaça logo passa
Ficou o gosto amargo do que não volta mais
E o silêncio pesado desses dias desiguais
[Outro]