(Verso 1)
Dona Jacinta acordava antes do sol nascer
Com as mãos cansadas, mas sem deixar de viver
Lavava roupa alheia, passava até anoitecer
Pra nenhum dos seus meninos sem comida adormecer
O destino foi tão duro, tirou cedo o seu amor
E os dois filhos pequeninos conheceram a dor
Mas ela virou fortaleza, virou colo e proteção
Mesmo sem saber as letras, escrevia educação
(Pré-refrão)
Analfabeta nos cadernos da vida
Mas doutora no jeito de ensinar
Cada lágrima escondida no rosto
Virou força pra continuar
(Refrão)
Ela foi lavadeira de roupa
Mas lavou também tristeza e solidão
Com mãos feridas criou esperança
E fez gigante cada coração
Dona Jacinta, mulher guerreira
Uma loba pronta pra lutar
Nunca deixou ninguém dizer
Que seus filhos não iam chegar
(Verso 2)
Quantas vezes sem saber o jeito certo de falar
Mas sabia exatamente como os filhos levantar
Ensinou que a dignidade vale mais que posição
E que sonho de pobre também cabe na mão
Hoje os filhos já cresceram, cada um venceu também
E carregam na memória tudo que veio da mãe
Cada conquista dessa vida tem o nome dela ali
Da mulher que transformou sofrimento em resistir
(Ponte)
Ela não teve diploma
Nem riqueza pra mostrar
Mas criou dois vencedores
Só com força de amar
(Refrão final)
Ela foi lavadeira de roupa
Mas lavou também tristeza e solidão
Com mãos feridas criou esperança
E fez gigante cada coração
Dona Jacinta, mãe valente
Fez da luta a direção
A mulher que mesmo simples
Ensinou como ser campeão…
(Final suave)
A lavadeira de roupa…
Que soube usar seu dom
Pra ser mãe.