[Verso 1]
No quintal, o pé de manga era um mundo inteiro
Meu carrinho de madeira, o chão de terra batida
Minha mãe chamava alto lá da porta da cozinha
E eu dizia “só mais cinco”, sem saber da despedida
[Pré-Refrão]
Hoje eu corro atrás do tempo, faço conta, faço plano
Mas tem tardes que eu daria tudo pra ser aquele menino
[Refrão]
Quem me dera um domingo sem relógio na parede
Um copo d’água no filtro e a família reunida
A infância foi tão breve, mas não foi embora
Mora aqui dentro, me ensina a olhar a vida
E quando o mundo pesa e eu esqueço quem eu sou
Fecho os olhos: ouço a voz de quem me criou
[Verso 2]
A calçada tinha riscos de giz e bicicleta
E um amigo que jurava ser meu irmão pra vida inteira
Hoje a gente se encontra entre mensagens e compromissos
Cada qual com sua estrada, sua pressa, sua maneira
[Pré-Refrão]
A vida adulta cobra caro, mas também abre caminhos
E eu carrego um pouco deles em cada passo que eu caminho
[Refrão]
Quem me dera um domingo sem relógio na parede
Um copo d’água no filtro e a família reunida
A infância foi tão breve, mas não foi embora
Mora aqui dentro, me ensina a olhar a vida
E quando o mundo pesa e eu esqueço quem eu sou
Fecho os olhos: ouço a voz de quem me criou
[Ponte]
Não quero voltar pra trás, só lembrar de vez em quando
Que o menino que eu fui ainda segura a minha mão
Se eu puder cuidar de alguém com a bondade que recebi
Talvez seja esse o jeito de guardar o que vivi
[Refrão Final]
Quem me dera um domingo sem relógio na parede
Um copo d’água no filtro e a família reunida
A infância foi tão breve, mas não foi embora
Mora aqui dentro, me ensina a olhar a vida
E quando o mundo pesa e eu esqueço quem eu sou
Fecho os olhos: ouço a voz de quem me criou
[Outro]
No quintal, o pé de manga ainda mora em mim