Meu amor, estou levemente licoroso,
um pouco rouco, mas querendo lhe falar.
Se hoje meu jeito parece mais dengoso,
é que o peito já não sabe disfarçar.
Talvez eu troque as palavras de lugar,
talvez eu ria sem saber por quê.
Mas tem uma coisa que não vai mudar:
o meu amor começa em você.
Eu sei que aquele chá que adoçou
não foi somente açúcar ou carinho.
Foi esse amor que você tem por mim,
seu jeito de cuidar bem de mansinho.
E mesmo que o chapéu não fique aqui,
que fique o meu abraço em seu lugar.
Há tanta coisa que eu posso deixar,
mas meu coração não sabe lhe deixar.
Eu te amo, meu amor,
do fundo do meu coração.
O licor pode subir à cabeça,
mas você não sai da minha paixão.
E se amanhã passar o efeito,
se a rouquidão desaparecer,
vou repetir do mesmo jeito:
meu grande amor é você.**
O chapéu descansa em outro canto,
mas minha vontade é de ficar.
Se eu tropeçar em alguma palavra,
me dê sua mão pra me ajudar.
Não é o licor que me faz romântico,
nem esse chá que me fez confessar.
É que às vezes falta um pouco de coragem
pra dizer o que não consigo calar.
E se o mundo perguntar por nós dois,
não tenho muito o que explicar.
O amor não precisa de grandes discursos,
basta um chá e alguém pra adoçar.
Eu te amo, meu amor,
do fundo do meu coração.
O licor pode subir à cabeça,
mas você não sai da minha paixão.
E se amanhã passar o efeito,
se a rouquidão desaparecer,
vou repetir do mesmo jeito:
meu grande amor é você.**
E quando a noite terminar,
quando o último gole se perder,
se ainda houver um chá na mesa,
quero dividi-lo com você.
Pois se hoje estou levemente licoroso,
amanhã posso até me esquecer
de onde deixei aquele chapéu...
Mas nunca de você.
O licor pode até falar por mim,
mas foi sóbrio que eu te amei.
E entre tantos caminhos desta vida,
foi no seu amor que eu fiquei.
Seu Jorge.