[Intro — sussurrado]
A rua dorme…
Há passos dentro de mim.
[Verso 1]
Sentado à beira da calçada,
Vi minha sombra se erguer.
Vestiu a noite nos ombros
E foi embora sem me ver.
Os postes se curvaram lentos,
A lua veio me buscar.
Deixei meu corpo por um tempo,
Levei o medo de não voltar.
[Pré-refrão]
Atrás dos olhos, outra rua,
Portas abertas pelo chão.
Segui um fio pela névoa,
Ouvindo a própria solidão.
[Refrão]
Luz na escuridão,
Acende devagar.
Se eu me perder de mim,
Tua voz vai me encontrar.
Quando o chão desaparecer,
Quando eu esquecer quem sou,
Me chama pelo nome…
Eu volto pelo teu amor.
[Verso 2]
Um trem cruzou a minha infância,
Parou na antiga estação.
Vi um menino na janela,
Desenho de lua na mão.
Entrei na casa da memória,
Ouvi a chuva no quintal.
Teu riso vinha de outro quarto;
Abri a porta: um temporal.
[Pré-refrão]
A água subiu pelas paredes,
Soltou retratos pelo chão.
Por entre os rostos que passavam,
Te ouvi dizer: “Me dá a mão”.
[Refrão]
Luz na escuridão,
Acende devagar.
Se eu me perder de mim,
Tua voz vai me encontrar.
Quando o chão desaparecer,
Quando eu esquecer quem sou,
Me chama pelo nome…
Eu volto pelo teu amor.
[Ponte — voz suspensa, crescendo]
Fui tão longe sem sair daqui…
Meu corpo ainda está na rua?
O céu respira sobre mim,
E a noite passa, imensa e nua.
Estendo a mão no escuro,
Já não consigo te enxergar.
Mas sinto teus dedos nos meus
E paro de lutar contra o mar.
[Longo solo de guitarra e órgão]
[Verso 3 — voz próxima]
Voltei à beira da calçada,
Um ônibus rompeu o breu.
Senti o cheiro quente do pão,
O mundo aos poucos reapareceu.
Eu tinha a noite nos cabelos,
Teu nome pronto para dizer.
Fiquei olhando a minha sombra
Voltar aos pés no amanhecer.
[Refrão final]
Luz na escuridão,
Acende devagar.
Se eu me perder de mim,
Tua voz vai me encontrar.
Quando o chão desaparecer,
Quando eu esquecer quem sou,
Me chama pelo nome…
Eu volto pelo teu amor.
[Coda — quase falada]
O dia clareou a rua,
Senti vontade de seguir.
A luz que me acendeu por dentro
É o amor que sinto por ti.