I Os Olhos de Dentro
Fechei os olhos para ver
O que o silêncio desenhava:
Um rio suspenso pelo céu,
Minha infância sobre a água.
Deixei meu nome sobre a areia,
Meu corpo à beira da maré.
Um peixe de cristal passava;
Segui seu brilho pela corrente.
As horas se soltaram do relógio,
Girando devagar ao meu redor.
E cada uma, ao tocar a água,
Abriu uma passagem para o sol.
II Luz
Luz que me acalma,
Luz que me ilumina,
Corre por dentro da noite,
Abre em meus olhos o dia.
Ilumina meu caminho,
Tortuoso ou sereno.
Quando eu me esquecer de mim,
Vem me encontrar por dentro.
III O Outro Lado
Passei por quartos de lembranças,
Ouvi alguém chamar por mim.
Uma porta tinha a voz de minha mãe,
Outra se abria num jardim.
Toquei a sombra que eu temia;
Ela tremia como eu.
Fiquei ao lado dela, em silêncio,
Até que o escuro amanheceu.
Vi tantos rostos no meu rosto,
Tanta distância em meu olhar.
Chamei por mim do outro lado;
Minha voz veio me buscar.
Interlúdio instrumental Travessia
IV A Presença
Ao longe, uma casa acesa,
Um vulto familiar à janela.
Quanto mais eu me aproximava,
Mais o céu se abria sobre ela.
Entrei sem recordar meu nome,
Sentei à mesa, junto à luz.
Alguém tomou as minhas mãos;
O calor me trouxe de volta.
Luz que está ao meu lado,
Mesmo quando eu não posso ver,
Se a noite me fechar os olhos,
Fica comigo até amanhecer.
Refrão Expansão
Luz que me acalma,
Luz que me ilumina,
Corre por dentro da noite,
Abre em meus olhos o dia.
Ilumina meu caminho,
Tortuoso ou sereno.
Quando eu me esquecer de mim,
Vem me encontrar por dentro.
V Amanhecer
Que ao abrir os olhos
Eu encontre a luz,
Ao meu lado, para sempre,
No amor que me conduz.
Meu corpo acorda sobre a areia,
A maré alcança minhas mãos.
A sombra se estende ao meu lado;
Já posso ouvir minha respiração.
Ao longe, o sol atravessa a neblina.
Fico de pé diante da imensidão.
Amanhecer torna-se expansão.