MEU MUNDO TEM CERCAS.
[VERSO — voz intimista, violão dedilhado]
Meu mundo tem cercas, tem portas, tem chão,
Tem histórias antigas, raízes, direção.
Mas nenhuma fronteira explica por inteiro
O que pode despertar um encontro passageiro.
Existe uma fonte do lado de fora,
Que sem saber me inspira até agora.
Não conhece os versos que faz florescer,
Nem imagina o que me faz escrever.
[PRÉ-REFRÃO — melodia crescente]
Não confundo um desejo com uma promessa,
Nem faço de um olhar uma declaração.
Mas existem perguntas que a vida atravessa
E encontram morada dentro do coração.
[REFRÃO — voz aberta, violão marcante]
MEU MUNDO TEM CERCAS, MAS EU SEI PENSAR,
SEI QUE HÁ VELHOS CAMINHOS QUE PODEM MUDAR.
NÃO POR UMA AVENTURA, UM IMPULSO QUALQUER,
MAS POR ALGO TÃO FORTE QUE MEREÇA A FÉ.
SE DO OUTRO LADO HOUVESSE VERDADE,
UMA ESCOLHA FIRME, A MESMA VONTADE,
EU SENTARIA À MESA, OUVIRIA A RAZÃO,
POIS UM NOVO COMEÇO TAMBÉM É DECISÃO.
[VERSO 2 — interpretação reflexiva]
Há territórios cercados por anos de história,
Há escolhas que um dia fizeram sentido.
E há caminhos que, quando revistos com calma,
Podem abrir novos rumos, sem negar o vivido.
Não se derruba um mundo por qualquer fantasia,
Nem se troca uma vida por uma ilusão.
Mas também não se deve chamar de aventura
Aquilo que merece uma séria decisão.
[PONTE — voz baixa, quase falada; violão suave]
Viver é uma vez, pelo menos nesta estrada,
E o tempo não devolve a hora desperdiçada.
Mas não basta querer, não basta sonhar:
São dois lados da ponte que precisam se encontrar.
O que existe em mim não decide por dois,
Não escreve sozinho o que pode vir depois.
Se a resposta não vem, eu não posso inventar;
Uma história de dois precisa de dois para começar.
[REFRÃO FINAL — voz intensa, crescente]
MEU MUNDO TEM CERCAS, MAS EU SEI PENSAR,
SEI QUE HÁ VELHOS CAMINHOS QUE PODEM MUDAR.
NÃO POR UMA AVENTURA, UM IMPULSO QUALQUER,
MAS POR ALGO TÃO FORTE QUE MEREÇA A FÉ.
SE DO OUTRO LADO HOUVESSE VERDADE,
UMA ESCOLHA FIRME, A MESMA VONTADE,
EU SENTARIA À MESA, SEM MEDO DE OUVIR:
TALVEZ FOSSE UM NOVO COMEÇO,
TALVEZ OUTRA FORMA DE SEGUIR.
[FINAL — voz suave, violão encerrando sozinho]
Por enquanto, há uma fonte,
Há versos que ninguém vê nascer.
Há um mundo que segue cercado
E uma canção que insiste em florescer.
Não sei o que existe do outro lado.
Só sei o que existe em mim.
E, se um dia houver verdade nos dois lados,
Talvez a história não termine aqui.