Você realmente achou que poderia me enganar?
Achou que poderia brincar com os meus sentimentos, subestimar minha percepção e mentir por muito tempo sem que eu percebesse?
Você sabia que eu tenho uma sensibilidade que considero um dom dado por Deus. Talvez tenha esquecido disso enquanto acreditava que estava no controle.
Eu sou doce, gentil, amável, educada, paciente e carinhosa. Tenho ternura no coração, valorizo a reciprocidade, a lealdade e a sinceridade. Sei respeitar e sei oferecer o melhor de mim.
Mas existe em mim um lado que poucos conhecem.
Sou observadora. Silenciosa. Calculista quando necessário. Tenho autocontrole e não costumo agir por impulso. Aprendi a controlar minhas emoções justamente porque nem tudo precisa ser dito no momento em que é descoberto.
Mesmo percebendo a mentira, continuei agindo naturalmente.
Não porque eu não soubesse.
Mas porque quis observar até onde você iria.
Enquanto você acreditava estar escondendo a verdade, eu apenas deixava você continuar falando. Deixava você se entregar pelas próprias palavras e atitudes, acreditando ser dono da razão, da verdade e da situação.
Talvez você tenha se considerado muito sedutor.
Mas existe uma diferença entre admirar alguém e colocá-lo em um pedestal.
Eu não faço isso.
Não me importa quem alguém é, o que possui ou o que representa. Eu trato as pessoas como iguais. O que realmente importa para mim são caráter, respeito, sinceridade e atitudes.
E existe algo que talvez você ainda não tenha entendido:
ser doce não significa ser ingênua.
Ser gentil não significa ser fraca.
Ser paciente não significa não perceber.
E ficar em silêncio não significa não saber.
Eu posso ter um coração puro e, ainda assim, saber exatamente quando preciso me afastar.
Você brincou acreditando que sairia ileso.
O seu maior erro foi subestimar justamente aquela que você imaginou que não perceberia.
Eu sou doce, sim.
Mas não sou ingênua.
E quando alguém quebra a minha confiança, não precisa temer meus gritos.
Precisa apenas prestar atenção ao meu silêncio.