Cinco anos
E um mundo caiu
Mas ele ficou
Bateu de frente, tudo em choque
Pequeno corpo, grande corte
Vinte por cento foram embora
E ele voltou pra escrever a própria história
Nove meses preso na UTI
Remédio forte, crise sem fim
A cada noite, outro ataque
Mas ele ainda respirava no ataque
Disseram: “é quase impossível”
A vó olhou e viu o visível
O céu inteiro na cicatriz
Um menino teimoso dizendo: “eu quis”
Milagre na pele
Milagre na pele
Se eu caí, eu volto de pé
Milagre na pele
Milagre na pele
Eles viram fim
Eu vi minha fé
Ele acordou lembrando de todo mundo
Mas o chão sumiu por um segundo
Perna sem força, roda no corredor
Olhar de guerra, peito com fervor
Todo dia a sala, o sal ardendo
Na calva aberta, o mundo doendo
Fisioterapia, um passo, outro passo
Cada avanço caro, cada avanço raro
A vó dizia: “vai, meu neto”
Com a mão no colo, firme e quieto
Se a dor grita, ele grita mais alto
Transforma lágrima em ataque e salto
Milagre na pele
Milagre na pele
Se eu caí, eu volto de pé
Milagre na pele
Milagre na pele
Eles viram fim
Eu vi minha fé
Quem viu a cama não viu o plano
Quem viu a falta não viu o humano
Eu fui quebrado, mas não vencido
Cicatriz é mapa do que eu construí
Milagre na pele
Milagre na pele
Se eu caí, eu volto de pé
Milagre na pele
Milagre na pele
Hoje eu rimo alto
Pra honrar quem crê
Milagre na pele
Milagre na pele
Eu sobrevivi
E eu vou vencer