**[Introdução — piano alegre e malicioso]**
**[Verso 1]**
Cheguei em casa no fim do dia
Com meu sorriso meio amassado
Dez horas passam tão depressa
Quando se está tão ocupado
Esqueci o pão, que deselegância
Um verdadeiro acontecimento
Logo eu, que tive a extravagância
De trabalhar sem pensamento
**[Verso 2]**
Meu dia foi uma maravilha
Problemas, prazos, confusão
Mas nada disso se compara
A quem conhece a exaustão
Eu reconheço, naturalmente
Que há coisas mais importantes
Meu cansaço é tão modesto
Que nem merece atenuantes
**[Refrão]**
Não foi nada! Não foi nada!
Foi só um dia que passou
Tem sempre alguém que fez de tudo
E eu nem sei o que me cansou!
Não foi nada! Que maravilha!
Que privilégio descansar!
Se alguém já teve um dia cheio
Pra que o meu contabilizar?
**[Verso 3]**
Eu amo, cuido, faço planos
E às vezes deixo algo passar
Tenho esse hábito curioso
De não conseguir me multiplicar
Mas acho lindo esse talento
De perceber com precisão
O que faltou no meu roteiro
Sem consultar minha intenção
**[Ponte — piano delicado, falsa solenidade]**
Não quero estátua nem homenagem
Nem um diploma de bom rapaz
Só peço a imensa gentileza
De não fazer do sono um crime a mais
Se algum suspiro me escapar
Não leve a mal, foi distração
Meu corpo ainda não aprendeu
As regras dessa competição
**[Refrão final — mais alegre e expansivo]**
Não foi nada! Não foi nada!
Foi só um dia que passou
Tem sempre alguém que fez de tudo
E eu nem sei o que me cansou!
Não foi nada! Que maravilha!
Eu nem devia reclamar
Se alguém já teve um dia cheio
O meu não precisa contar!
**[Final — piano desacelera, voz sempre cantada]**
Amanhã acordo bem cedinho
Com o mesmo amor e disposição
E se eu voltar um pouco exausto
Será falta de educação
Não foi nada, meu amor
Pode deixar, eu já entendi...
Se alguém cansou por nós dois
Eu nem precisava ter saído daqui!
**[Acorde final seco do piano]**