Verso 1
Não me tome como exemplo,
Não me ponha num altar.
Tenho barro no sapato
E umas contas pra pagar.
Não sou falso nem demagogo,
Não prometo salvação.
Se não tenho uma resposta,
Não disfarço com sermão.
Sou sincero, responsável
Pelo que escolhi fazer.
Se fui eu que fiz o estrago,
Sou eu quem vai responder.
Refrão
Não me tome como exemplo,
Não me siga sem pensar.
Sou um sonho de botina,
Tenho chão pra caminhar.
Erro, mas tento errar menos,
Tenho muito que aprender.
Se quiser andar comigo,
Não precisa ser como eu.
Verso 2
Gosto de dinheiro no bolso,
Sei a falta que ele faz.
Mas não vendo a consciência
Pra depois comprar a paz.
Nesta feira de aparências,
Onde vale o que se tem,
Tem sujeito que põe preço
Até no abraço de alguém.
Não me falta ambição,
Tenho sonhos pra cumprir.
Mas, se for pisando em gente,
Não me interessa subir.
Refrão
Não me tome como exemplo,
Não me siga sem pensar.
Sou um sonho de botina,
Tenho chão pra caminhar.
Erro, mas tento errar menos,
Tenho muito que aprender.
Se quiser andar comigo,
Não precisa ser como eu.
Ponte falada
Atenção, setor de enquadramento!
Meu pensamento não coube no formulário.
Escrevi no verso.
Favor ler antes de carimbar!
Verso 3
Sou o avesso dessa pressa
De vencer a qualquer preço.
Se vencer exige um cúmplice,
Dou meia-volta e recomeço.
Dignidade é todo dia,
Quando ninguém veio olhar:
Devolver o troco a mais,
Ter palavra pra honrar.
Mas não basta fazer verso
Pra provar que sou assim.
Se eu fugir do que defendo,
Pode cobrar de mim.
Refrão final
Não me tome como exemplo,
Não me siga sem pensar.
Sou um sonho de botina,
Tenho chão pra caminhar.
Erro, mas tento errar menos,
Tenho muito que aprender.
Se quiser andar comigo,
Não precisa ser como eu.
Saída voz e violão
Não me tome como exemplo,
Também posso tropeçar.
Se eu cair, me dê a mão;
Se eu mentir, pode cobrar.
Não me faça monumento,
Tenho estrada pra seguir.
Se me erguer um pedestal,
Vou descer: não sei fingir.