[Intro]
(Batida de trap lenta, 808s profundos, notas soltas de piano com efeito de chuva e estática de vinil ao fundo)
(Voz de Criança – tom ecoado, suave e melancólico)
Mãe... você ainda consegue me ouvir daqui?
Eu sei que tá frio aí fora... mas eu tô bem.
[Verso 1: Voz de Criança]
Eu vi os seus olhos quando a decisão chegou
Um mar de incerteza, a dor que te cercou
Você achou que não tinha espaço, que o mundo era um nó
Mas eu nunca quis que você se sentisse só
Tinha um par de sapatinhos que você olhou na vitrine
Uma lágrima descendo, parecia até um filme
Eu não guardo mágoa, mãe, entendo o seu receio
O medo do futuro, aquele aperto no meio
Eu ia ter o seu sorriso e o cabelo bagunçado
Correr pela sala, deixar tudo desarrumado
Mas antes mesmo de nascer, vi sua alma chorar
A dor de um segredo que você não pode contar.
[Refrão: Voz de Mulher]
(Voz embargada, com auto-tune suave e eco profundo)
Me desculpa, meu anjo, a culpa me consome
Eu choro no escuro e nem sei dizer seu nome
O mundo era escuro, eu não tinha pra onde ir
Com medo do amanhã, não vi você sorrir
Se o tempo voltasse, se eu fosse mais forte...
Carrego esse silêncio como a minha própria sorte.
[Verso 2: Voz de Criança]
Mãe, não carrega esse peso no seu peito
A vida às vezes dobra a gente de um jeito...
Eu sei que a noite é longa e o travesseiro é de pedra
Que o julgamento dos outros é uma tempestade que quebra
Mas do lado de cá, não existe dor nem rancor
Só o que sobrou de um pedaço de amor
Eu vi quando você guardou aquele ultrassom no fundo da gaveta
Como se quisesse esconder do mundo e de qualquer planeta
Quando o vento soprar forte e a chuva cair na janela
Sabe que sou eu te abraçando, deixando a noite mais bela
Você precisa seguir, precisa se perdoar
Eu tô em paz, mãe... pode respirar.
[Refrão: Voz de Mulher]
Me desculpa, meu anjo, a culpa me consome
Eu choro no escuro e nem sei dizer seu nome
O mundo era escuro, eu não tinha pra onde ir
Com medo do amanhã, não vi você sorrir
Se o tempo voltasse, se eu fosse mais forte...
Carrego esse silêncio como a minha própria sorte.
[Ponte: Diálogo intercalado]
(Voz de Mulher)
Eu sinto sua falta mesmo sem te conhecer...
(Voz de Criança)
Eu sempre estive aqui, só tative que partir antes de nascer.
(Voz de Mulher)
Será que algum dia eu vou me libertar?
(Voz de Criança)
Quando você se amar do jeito que eu te amo, mãe... tudo vai passar.
[Outro]
(A batida vai desacelerando, o piano fica mais espaçado)
(Voz de Criança)
Boa noite, mãe. A gente se vê nos seus sonhos.
(Som de suspiro suave)
(Voz de Mulher – sussurrado)
Boa noite, meu filho... me perdoa.
(Efeito de fade out com notas lentas de piano)