[iniciar com solo de guitarra] [voz masculina]
Você se recorda, Benzinha
Daquela canção que fiz pra você:
"Você Benzinha, só minha, só minha"
Hoje faço uma nova — diferente dessa vez
Trinta anos atrás, naquela praia
Você parou o carro, falou sem rodeios:
[voz feminina]
"Acabou o encanto, não sinto mais nada"
"Você não tem nada pra me acrescentar "
"Então tome uma atitude "
"Ninguém é de ninguém "
"Agora eu vou viver"
"Sou livre outra vez"
[voz masculina]
E eu congelei ali, o ar saiu dos pulmões
Tudo escureceu, me perdi na escuridão
Vaguei sem rumo, preso nessa paralisia
[solo de guitarra]
Você deixou as portas abertas
Esperando eu partir
Mas eu estava sem força
Prisioneiro de um terror sem nome, sem saída
Trinta anos numa névoa cinzenta
Sem conseguir decidir, sem conseguir respirar
Mas hoje — hoje voltei a enxergar
Voltei a sentir o pulso bater
Essa névoa que me engolia
Finalmente começou a clarear
E o Guerrinha que você conhece
Aprendeu que pode se levantar
Trinta anos me disseram quem eu era
Não consigo mais viver só olhando pra trás
As promessas que se desfazem no tempo
Não apagam tudo que eu ainda posso ser
Trinta anos numa névoa cinzenta
Sem conseguir decidir, sem conseguir respirar
Mas hoje — hoje voltei a enxergar
Voltei a sentir o pulso bater
Essa névoa que me engolia
Finalmente começou a clarear
E o Guerrinha que você conhece
Aprendeu que pode se levantar
Não foi fácil chegar até aqui
Mas respiro fundo e me reconheço
Encontrei a força que julgava perdida
Recuperei o direito de escolher
Trinta anos numa névoa cinzenta
Mas hoje o ar voltou, e eu voltei a respirar
Essa névoa que me engolia
Finalmente — finalmente vai passar