Houve tempo em que corri...
corri mais... do que minhas pernas podiam aguentar.
Houve noites... que virei dia,
e dias em que... me escondi do olhar.
Criei brigas... guerras sem fim,
umas por verdade... outras por mentira,
flutuei solta... como um balão
que escapou... de uma mão frouxa.
Viajo por um mundo...
vazio, vago... indiferente,
percorro estradas... sem querer parar,
só fugindo... de mim mesma e da gente.
Mas hoje busco... o silêncio,
me deito nos Seus braços... e Ele me faz dormir,
me dá afago... cobre todo o meu ser,
e aqui... começo a existir.
Ando lenta...
sigo as borboletas... pelo ar,
me perco no tempo... calma, quieta,
vazia e lenta... sem pressa de chegar.
Parece que estou só...
mas não estou... não, de jeito nenhum:
todo esse tempo... estou deitada
nos braços... do silêncio Dele.
E ouço a Sua voz...
uma canção de ninar... tão suave, tão lenta,
que mal consigo... me encontrar a mim mesma,
enquanto Ele... me envolve por dentro.
Enquanto eu me acolho...
Deus me esconde... e escreve a minha história,
não põe fim... só cuida,
e me diz baixinho:
“É no silêncio... que se cria a glória”.
É profundo... esse lugar,
e a vontade... é de ficar aqui:
onde perdi tantas coisas...
posso finalmente... me encontrar.
Porque no silêncio... Deus cura,
no silêncio... Ele traz alívio,
no silêncio... derrama a paz,
no silêncio... Ele anda comigo.
Eu não planto... Ele planta,
eu observo... Ele faz crescer,
eu choro... Ele enxuga as lágrimas,
e aqui... em tudo o que viver:
Ele muda... cultiva o meu jardim,
e devagar... traz o meu sorriso...
para mim.