Descrição: Blues escuro, ritmo muito lento e pesado, voz masculina grossa e profunda, violão elétrico grave, baixo marcado, bateria devagar, clima sombrio, sincero e cheio de fé.
(INTRO: Notas graves, lentas e espaçadas, silêncio pesado)
A noite cai… pesada e sem estrelas…
O muro alto… divide o mundo em dois…
Eu caminho devagar… e vejo a solidão…
Viver em cada canto… em cada olhar que vejo depois…
Muitos ali… fizeram escolhas que machucam…
Tiraram da vida… o que havia de mais sagrado…
Hoje carregam… o fardo pesado da lembrança…
E pagam cada dia… com o coração apertado…
O frio desce… e corta feito navalha…
O silêncio é maior… que a própria parede…
Só se ouve o vento… e o peso do pensamento…
De quem lembra a vida… que agora está sem rede…
Eu e meus parceiros… trabalhamos noite inteira…
Sem descansar… sem deixar o olhar cansar…
Caminhamos juntos… por toda a volta dos muros…
Vigiando tudo… para que nada de ruim venha a chegar…
No silêncio fundo… o peito fica bem atento…
Olho para o lado… e vejo quem está comigo…
Meus companheiros… também sentem essa pesada noite…
Carregam junto… o peso de ver o que é sofrido…
Entre pedra e ferro… grades e sombra forte…
A gente sente sair… o sofrimento que ali mora…
Não é só a prisão… feita de muro e tranca…
É a dor de ter errado… e ver o tempo ir embora…
Vejo almas… que parecem despedaçadas ao meio…
Cada qual com sua história… guardada em segredo…
Uma decisão… tomada num momento cego…
Deixou todo o caminho… coberto de sombra e medo…
Mas eu sei… e trago isso no peito calmo…
Que Deus trabalha… onde os olhos não veem bem…
Mesmo no escuro… Ele não vira a cara…
Trazendo uma luz… que só quem sofre é que tem…
Ele chega devagar… igual ao ritmo da noite…
Muda o coração… que era duro e fechado…
Troca a revolta… por uma vontade nova…
De recomeçar… e ter o perdão ao lado…
// REFRÃO
Cada olhar… conta uma história longa…
De erro, de dor… e de arrependimento fundo…
Mas também pede… com toda a força que tem:
Mais uma chance… de viver melhor no mundo…
Mais uma chance… de ser gente de verdade…
Sair da escuridão… e poder enfim caminhar…
Livre não só… dessas grades de pedra…
Mas livre do mal… que um dia fez errar…
Eu sigo firme… nessa noite sem fim…
Vendo o que muitos… preferem não olhar…
Que atrás de cada porta… tem um ser humano…
Que ainda sonha… e quer se levantar…
Lá dentro lembram… da mesa da família…
Do abraço quente… que não podem mais dar…
Falam baixo com Deus… na calada da madrugada…
Pedem perdão… e jeito de melhorar…
O tempo passa… bem mais devagar ali…
Mas cada minuto… serve de lição…
Porque a verdadeira liberdade… vem de dentro…
Quando a paz mora… bem fundo no coração…
Mesmo no frio… na rotina dura e escura…
Eu e meus irmãos de serviço… não saímos do lugar…
Sabemos que além… do cuidado e da obrigação…
Tem almas esperando… a luz finalmente chegar…
// REFRÃO FINAL – MAIS LENTO E PROFUNDO
Cada olhar… conta uma história longa…
De erro, de dor… e de arrependimento