Gotas d’água caem,
uma a uma.
Várias ao mesmo tempo.
Pouco importa.
Já é noite.
O copo vazou.
O molho virou.
O chão sujou.
E as gotas ainda caem,
solitárias,
uma a uma.
Neste ponto,
um espaço.
Por aí vai.
No papel, a gota.
Na gota, a palavra.
E depois,
a próxima.
O corpo cansou,
sangrou,
arrefeceu.
O peito calou.
O relógio correu.
As horas não vinham.
O carro apagou.
O barco soçobrou.
O pulso falhou.
O coração pediu:
Deixa estar.
Deixa cair.
Deixa a noite
seguir até o fim.
Parei.
Estive.
Fui.
Voltei.
Calei.
Senti.
Chorei.
Deixa estar.
Singrei mundos,
absurdos paralelos.
A gota caiu.
O copo transbordou.
A vida sentiu.
A alma abalou.
Palavras.
Delírios.
Desejos.
Anseios.
Dois em um,
escrevendo
entre uma sanidade e outra.
Puro delírio
entre outra e uma.
Melhor parar.
Mas a gota cai.
Melhor calar.
Mas a palavra sai.
O coração gritou.
Minha boca calou.
Sofri.
Senti.
Chorei.
A gota caiu.
O copo transbordou.
A noite passou.
Apesar de tudo,
vivo estou.