Lá no Bar do Marcos
A conversa começou
Tinha gente que chegava
E ninguém mais levantou
A lata tombou
O cigarro apagou
O isqueiro acabou
E a noite continuou
Restou a lua lá no céu
Pra fazer companhia
O Marcos punha mais uma
E o samba acontecia
As bolotas a rolar
O argentino a sentar
O manco morreu
O do banco a chorar
A morena consolava
Laerte olhava de longe
O sujeito do boné sorria
E a viola respondia
— Ô Marcos, põe mais uma!
— Mas outra?
— É... a última!
Ô Marcos, põe mais uma
Que a noite não acabou
Quem nunca deu um tropeço
Não sabe por onde andou!
Ô Marcos, põe mais uma
Deixa a viola tocar
Que a vida é cheia de tropeço
E amanhã nóis vê no que dá!
O bêbado dava abraço
O dono punha outra
A música não parava
E a conversa seguia solta
Cavaleiro sem cavalo
Sem ter pressa de chegar
A viola acompanhava
Quem ainda queria cantar
Ô Marcos, põe mais uma
Que a noite não acabou
Quem nunca deu um tropeço
Não sabe por onde andou!
Ô Marcos, põe mais uma
Deixa a viola tocar
Que a vida é cheia de tropeço
E amanhã nóis vê no que dá!
Vida existe...
A viola toca...
Noite finda...
Tropeços no voltar...
A chave entrou...
E dormir vou.