[Introdução falada]
Me pediram uma prova de sanidade.
Entreguei meu caderno.
O sujeito leu duas páginas…
E começou a escrever também!
[Verso 1]
Vontade de escrever
O que penso, o que sinto,
Pôr minha verdade ao sol,
Destrancar meu labirinto.
Mas o síndico da ideia
Veio logo reclamar:
“Pensamento sem coleira
Não tem hora de voltar!”
[Verso 2]
Eu escrevo o que acredito,
Eu rabisco o que eu sou.
Minha dúvida saiu cedo,
Minha certeza atrasou.
Fui comprar uma resposta,
Tinha fila no balcão.
Voltei cheio de perguntas
E sem troco pra condução!
[Pré-refrão]
Se eu me calo, sou estranho,
Se eu pergunto, sou problema.
Fui explicar minha cabeça,
Me entregaram um esquema!
[Refrão]
Dentro do meu normal,
Eu escrevo loucamente!
Minha cabeça tem quintal,
Tem cadeira pra mais gente.
Pode chamar de loucura,
Pode tentar enquadrar:
Pensamento sem moldura
Dá trabalho pendurar!
[Verso 3]
Tem um fiscal na esquina
Conferindo a opinião:
“Quem pensar fora da linha
Vai pagar pela infração!”
Eu mostrei minha poesia,
Ele quis me revistar.
Encontrou um verso solto
E mandou algemar!
[Pré-refrão]
Mas o verso deu risada,
Foi pulando pelo chão.
Hoje anda de boca em boca,
Sem pedir autorização!
[Refrão]
Dentro do meu normal,
Eu escrevo loucamente!
Minha cabeça tem quintal,
Tem cadeira pra mais gente.
Pode chamar de loucura,
Pode tentar enquadrar:
Pensamento sem moldura
Dá trabalho pendurar!
[Ponte falada]
Doutor, minha ideia anda escapando.
Tranquei a porta, fechei a janela…
Ela saiu pela ponta da caneta!
[Pausa]
Agora tem gente lendo.
O caso se espalhou!
[Solo]
[Verso final]
Vontade de escrever
O que penso, o que sinto,
O que acredito, o que sou,
Mesmo quando me desminto.
Se me chamarem de louco,
Também podem se sentar:
Tem lugar no meu caderno
Pra quem quiser rabiscar!
[Refrão final]
Dentro do meu normal,
Eu escrevo loucamente!
Minha cabeça tem quintal,
Tem cadeira pra mais gente.
Pode chamar de loucura,
Pode tentar enquadrar:
Pensamento sem moldura
Dá trabalho pendurar!
[Final falado]
Terminei o depoimento.
Posso levar minha caneta?