[Verso 1]
Na véspera da eleição, apareceu lá no portão,
Com sorriso de retrato e promessa de caminhão.
Disse “o povo é minha causa”, apertou minha mão,
Depois sumiu quatro anos, que beleza de gestão!
[Pré-Refrão]
Quando a urna fica quieta, ninguém sabe meu endereço,
Mas chegando a campanha, sou parente e sou progresso.
[Refrão]
Ô, meu senhor, não me venha com conversa,
Seu abraço tem prazo, sua promessa tem pressa!
O povo não cai de novo, pode anotar no papel:
Quem nunca se importou não volta a pedir meu chapéu!
[Verso 2]
No gabinete tem café, tem ar-condicionado,
E o bairro esperando a ponte que ficou no orçamento guardado.
Na foto, todo mundo junto; na fila, cada um por si,
Se cuidado desse voto, já cuidava desde ali!
[Pré-Refrão]
Agora bate na janela com santinho e voz macia,
Mas eu lembro do seu nome — e da sua covardia.
[Refrão]
Ô, meu senhor, não me venha com conversa,
Seu abraço tem prazo, sua promessa tem pressa!
O povo não cai de novo, pode anotar no papel:
Quem nunca se importou não volta a pedir meu chapéu!
[Ponte]
Pode ensaiar o sorriso, pode engomar o paletó,
Eu já vi esse teatro — e conheço o seu refrão.
Meu voto não é favor, nem cheque em branco assinado:
Quem fez pouco caso do povo vai ouvir “não” bem cantado!
[Refrão Final]
Ô, meu senhor, não me venha com conversa,
Seu abraço tem prazo, sua promessa tem pressa!
O povo não cai de novo, pode anotar no papel:
Quem nunca se importou não volta a pedir meu chapéu!
Quem nunca se importou não volta a pedir meu chapéu!
[Outro]
Pode ir guardando o santinho, pode ir fechando o portão:
Dessa vez o povo lembra — e responde na eleição!