MAL E O BEM
O Mal do coração é o sofrer;
é a dor do infalível infarto
que em peitos desata.
Não faz merecer!
O bem abstrato é o amor
que não sofre o peito, não mata,
não dói no real o fato.
É a beleza que não se vê, mas sente:
o bem-estar que não desata!
O querer bem não é mal da razão,
é o sofrer do amor que acelera os batimentos,
cria as angústias, a ânsia...
Louvor com esperança.
A dor do bem toca o seu dia,
e a cura também.
Sente que não é fácil ter o amor sem paixão,
mas o que há de fazer?
Ele encerra discórdia, concorda com o que diz: amém!
Não há remédio que cure o mal da razão.
É carne viva, é sangue que escorre nas veias.
O bem é o que importa: abre portas e deixa entrar.
É o enquanto de estar e a distância
que, junto ao peito, não aperta.
E entre o corte e o afago, o coração se liberta.
<--- dougraças / tocando