[INTRO] (cordas sombrias, piano, coral sussurrado)
Ah...
Respira...
Madeira...
Vida...
Então ele...
Entalha-talha-talha...
Sopra-opra-opra...
E chora-ora-ora...
Sem parar...
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[VERSO 1]
No silêncio da oficina antiga
Um velho tronco começou a cantar
Veio o cinzel desenhando destinos
Sem uma palavra reclamar
Cada fibra ganhou um nome
Cada nó virou coração
E quando o sopro beijou a madeira
Nasceu inteira a multidão
Então ele...
Entalha-talha-talha...
Sopra-opra-opra...
E chora-ora-ora...
Sem parar...
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[PRÉ-REFRÃO]
Todos nasceram da mesma árvore
Todos beberam do mesmo ar
Mas bastou abrir os próprios olhos
Pra esquecerem de olhar...
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[REFRÃO]
"Eles são pinho!"
"Não... Carvalho!"
"Os de cedro nunca vão prestar!"
E o Entalhador permanece em silêncio...
Enquanto vê...
Madeira...
Odiando...
Madeira.
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[DROP – PHONK]
Madeira!
Madeira!
Madeira!
Corta!
Julga!
Quebra!
Mesmo sopro.
Mesmo pó.
Entalha-talha-talha!
Sopra-opra-opra!
Chora-ora-ora!
Sem parar!
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[VERSO 2]
Uns gritavam:
"Por que nasci tão pequeno?
Ele me fez pra sofrer!"
Outros choravam:
"Isso é castigo...
Ele nunca quis me ver."
Enquanto isso...
Os mais altos faziam tronos.
Os mais largos criavam leis.
Os envernizados chamavam defeito
Tudo aquilo que não eram eles.
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[PONTE – CHAMBER] (violinos crescendo)
Um boneco bateu no peito:
"Se eu fosse o Entalhador...
Nada disso existiria."
Outro respondeu:
"Eu faria um mundo perfeito..."
Enquanto empurrava
Outro boneco
Para dentro do fogo.
E o velho...
Entalha-talha-talha...
Sopra-opra-opra...
E chora-ora-ora...
Sem pa-raaar...
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[REFRÃO 2]
"Meu verniz vale mais!"
"Minha madeira é sagrada!"
"Meu formato é o correto!"
"E o resto não vale nada!"
E o Entalhador...
Ainda em silêncio...
Vê madeira...
Condenando...
Madeira.
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[BREAKDOWN – ELECTROPOP]
Uns rezam.
Uns queimam quem reza.
Uns dizem:
"Ele nos abandonou."
Outros respondem:
"Nunca existiu."
Enquanto todos...
Continuam respirando...
O mesmo sopro.
Que um dia veio...
Do mesmo Entalhador.
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[VERSO FINAL]
Nenhum percebeu
Que o cinzel nunca escolheu
Quem seria bonito.
Quem seria torto.
A árvore nunca separou seus galhos.
Foi a madeira...
Que inventou...
As rachaduras.
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[REFRÃO FINAL] (coral completo)
Todos feitos
Da mesma árvore.
Todos vivos
Pelo mesmo sopro.
Todos sonhando
Com o lugar do Entalhador.
Sem perceber...
Que passaram a vida inteira
Discutindo
Qual pedaço da madeira
Era mais madeira
Que o outro.
Então ele...
Entalha-talha-talha...
Sopra-opra-opra...
E chora-ora-ora...
Sem pa-raaar...
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[OUTRO] (piano sozinho, coral distante)
O Entalhador fecha os olhos.
A oficina permanece cheia.
Não de serragem...
Mas de lascas...
Que um dia
Chamaram de irmãos.
E mesmo assim...
Ele ainda...
Entalha-talha-talha...
Sopra-opra-opra...
E chora-ora-ora...
Sem pa-raaar...