[INTRO — chuva forte / piano sombrio / synth noir]
São Paulo chora em neon…
As ruas escondem pecados…
E toda verdade…
cobra um preço…
[VERSO 1]
Dentro do carro parado na chuva,
Whisky queimando a garganta crua,
Olhos cansados, alma afundando,
ARDUNTER SENGÁ se destruindo.
Sem olho púrpura…
Sem poder nenhum…
Só um detetive…
Caçando o submundo.
Encontrava políticos,
Segredos e assassinos,
Quando ele surgia…
acabava o esconderijo.
[PRÉ-REFRÃO]
“Se Ardunter começa investigar…
a verdade já começou a chegar…”
Mas toda mente forte também sangra…
E a bebida lentamente o matava…
[REFRÃO]
Na rua da insegurança…
Uma criança…
Um girassol na contramão…
Luz vermelha…
Sangue na chuva…
E morreu seu coração…
Mas era mentira…
Uma memória construída…
Um demônio brincando com a dor…
Iblis não queria matar o homem…
Queria destruir quem ele se tornou…
[VERSO 2]
Meses antes…
cultos abriram portais,
Corpos queimando em rituais infernais,
ARDUNTER entrou sozinho na escuridão,
E impediu Iblis de tocar o chão.
Mas nas sombras…
algo observava…
E um sorriso impossível…
o acompanhava…
Então a culpa nasceu dentro dele,
Toda noite a menina aparecia,
Quatro anos…
vestido molhado…
Segurando um girassol na avenida fria.
[PONTE]
“Culpa destrói mais devagar…
e muito mais fundo…
que qualquer ferida…”
[VERSO 3 — instrumental pesado]
No inferno…
Iblis fez uma aposta,
Com Erzael…
o anjo das portas.
“Três desejos eu vou conceder…
E aquele homem vai pedir pra ela viver…”
“E se perder?”
— perguntou o anjo da morte.
“Os djinns voltarão ao inferno…
E eu andarei entre humanos até o fim…”
[REFRÃO 2]
Então Iblis veio…
Sorriso elegante…
Olhos negros como carvão…
“Posso trazer ela de volta…”
Mas Ardunter desconfiou da escuridão.
Primeiro desejo:
“Me dê seu sangue ionizado.”
Segundo desejo:
“Quero ficar imune ao seu legado.”
O inferno começou a tremer…
Mas ainda faltava o último…
[BREAKDOWN — voz baixa / chuva]
Ardunter bebeu o último gole…
E encarou o próprio demônio…
[DROP]
“Quando olhar no espelho…
vai me ver atrás de você…
te matando.”
[SILÊNCIO]
E naquele instante…
Iblis entendeu…
que havia perdido.
[VERSO FINAL]
Djinns gritando no inferno vazio,
Iblis condenado ao mundo frio,
Preso num corpo humano mortal,
Assombrado pelo reflexo final.
Enquanto isso…
sozinho em casa…
Ardunter encarava o frasco proibido…
Injetou o sangue…
E o mundo morreu por dentro…
Veias queimando…
ossos rachando…
E o olho esquerdo…
ficou púrpura brilhando…
[REFRÃO FINAL — emocional]
Ele ganhou:
teletransporte…
regeneração…
percepção além da razão…
Mas perdeu algo pior…
A própria paz…
Porque ainda acredita…
na mentira infernal…
A menina nunca existiu…
Mas a culpa permaneceu…
E mesmo derrotado…
Iblis ainda venceu…
[OUTRO — piano triste / chuva distante]
“Toda verdade deixa cicatrizes…
Algumas…
nunca existiram.”