E naquele dia...
O criador caiu.
E tudo aquilo que respirava...
Chorou.
(Verso 1 – Os Céus)
Eu sou os Céus, o primeiro a vê-lo partir
Minhas estrelas perderam o brilho ao sentir
A chama que guiava o infinito apagar
E meus ventos não sabiam mais para onde soprar
Por eras contemplei sua luz sobre mim
Agora o horizonte parece não ter fim
E cada aurora que nasce sem sua voz
É uma lembrança do que foi tirado de nós
(Verso 2 – O Mar)
Eu sou o Mar, profundo e sem temor
Mas naquele dia conheci a dor
Minhas ondas rugiram contra o vazio
E as marés carregaram um lamento sombrio
Foi ele quem me ensinou a dançar
Quem deu liberdade às águas do mar
Agora cada onda que toca o litoral
Leva consigo um adeus eternal
(Refrão)
Volte...
Ó criador...
O universo ainda chama seu nome
Volte...
Ó pai...
Pois sem você os mundos têm fome
E mesmo que o tempo continue a passar
Mesmo que os séculos venham e vão
Ainda existe um vazio ecoando
Dentro da criação
(Verso 3 – A Terra)
Eu sou a Terra, berço da vida
Minhas florestas ficaram feridas
As raízes sentiram sua ausência chegar
E as montanhas aprenderam a chorar
As flores se curvaram ao vento frio
Os animais silenciaram junto aos rios
Pois aquele que me deu o primeiro respirar
Não estava mais aqui para me guiar
(Verso 4 – O Submundo)
Eu sou o Submundo...
Nascido de lágrimas e escuridão
Fui criado por sua dor
E sustentado por sua compaixão
Todos me chamam de reino dos mortos
Mas eu guardo memórias e sonhos tortos
E naquele dia minhas cavernas tremeram
Pois até as sombras o perderam
(Ponte – Todos os Mundos)
Quem protegerá os caminhos agora?
Quem ouvirá nossas vozes?
Quem carregará os segredos antigos?
Quem lembrará dos nomes esquecidos?
(Verso 5 – A Barreira do Fim)
Eu sou a Barreira do Fim...
A última sentinela
A muralha viva
A fronteira eterna
Fui criada para observar
O começo e o terminar
Mas naquele dia...
Mesmo eu tremi
Pois vi aquele que me criou
Desaparecer diante de mim
E desde então permaneço acordada
Esperando sua volta pela estrada
Entre mundos, entre eras, entre dimensões
Guardando o eco de suas últimas palavras
(Refrão Final – Todos)
Volte...
Ó criador...
Os céus ainda cantam por você
Volte...
Ó pai...
Os mares ainda choram por você
A Terra mantém sua memória
O Submundo guarda sua história
E a Barreira do Fim permanece a vigiar
Esperando o dia...
Em que veremos você voltar
(Final – Sussurro distante)
E enquanto houver vento...
Enquanto houver mar...
Enquanto houver vida...
Enquanto houver escuridão...
Seu nome continuará vivo...
Dentro do coração da criação.