O café esfriou na mesa
A manhã tomou a rua
O jornaleiro abriu a banca
Sob a última luz da lua
Um jornal cruzou a praça
Foi parar junto ao sinal
Um sujeito perdeu o ônibus
E culpou o mundo, afinal
Passei anos procurando
Uma hora que sobrasse
Até descobrir que a vida
Não espera que eu me atrase
O mundo não espera
Nem eu vou esperar
Que alguém abra a minha porta
Ou me ensine a caminhar
O mundo não espera
Nem precisa me avisar
Tenho o dia pela frente
E uma vida pra gastar
Tem promessa em toda esquina
Tem conselho pelo ar
Tem quem venda mil caminhos
Sem sair do seu lugar
Já segui placas demais
Que apontavam pro mesmo chão
Hoje escuto os meus sapatos
Quando mudam de direção
Não preciso de certezas
Nem de um mapa pra seguir
Se a estrada muda o rumo
Posso até me descobrir
O mundo não espera
Nem eu vou esperar
Que alguém abra a minha porta
Ou me ensine a caminhar
O mundo não espera
Nem precisa me avisar
Tenho o dia pela frente
E uma vida pra gastar
Na estação ficou um homem
Vendo o último trem passar
Eu segui pela calçada
Sem saber onde ia dar
Não carrego uma resposta
Pra pergunta que virá
Cada passo abre uma porta
Que ninguém pode fechar
O mundo não espera
Nem eu vou esperar
Que alguém abra a minha porta
Ou me ensine a caminhar
O mundo não espera
Nem precisa me avisar
Tenho o dia pela frente
E uma vida pra gastar