### [Introdução]
Abre alas, minha gente,
Que o importante vai passar!
Trouxe o umbigo num andor,
E o céu pra lhe carregar!
### [Primeira parte]
Lá vem o rei da vaidade,
Com diploma de razão!
Fez do espelho seu palácio,
Da modéstia, profissão!
Se alguém pede uma ajuda,
Ele oferece opinião!
Tem resposta pra tudo,
Mas não sabe ouvir um não!
Prega amor e caridade,
Com tamanha devoção!
Mas se alguém precisa dele,
Sai de férias o coração!
### [Refrão principal]
Ô, ô, ô, olha o umbigo aí!
O mundo dá volta e não gira por ti!
Ô, ô, ô, deixa o povo passar!
Quem se acha o centro não sai do lugar!
### [Segunda parte]
Fez promessa, acendeu vela,
Foi pedir felicidade!
Quer milagre com entrega,
Sem pagar pela humildade!
Quer perdão sem dar desculpa,
Quer colher sem semear!
Quer que o céu mude de ideia
Pra não ter que se mudar!
Ajoelhou, juntou as mãos,
Fez um pedido especial:
Uma estrela com seu nome
E um trono celestial!
### [Refrão do meio – Paradinha]
Desce daí, majestade!
Tua coroa é vaidade!
Desce daí, vem sambar!
Que o céu não é lugar pra mandar!
### [Terceira parte]
Mas o tempo, malandro velho,
Não respeita posição!
Fez da coroa um confete,
E do trono um barracão!
Sua Alteza foi ao chão,
Sem coroa e sem brasão!
Foi pedir segunda chance,
Ganhou um tamborim na mão!
Deu risada da própria graça,
Foi sambar no meio da praça!
Descobriu que até o rei
Tem que entrar no mesmo trem!
### [Refrão principal]
Ô, ô, ô, olha o umbigo aí!
O mundo dá volta e não gira por ti!
Ô, ô, ô, deixa o povo passar!
Quem se acha o centro não sai do lugar!
### [Apoteose – Final]
Hoje o céu caiu no samba,
Veio ver quem manda aqui!
Encontrou tanta majestade
Que resolveu se divertir!
Ô, ô, ô, olha o umbigo aí!
O mundo dá volta e não gira por ti!
Ô, ô, ô, pode rir, meu amigo!
Se o mundo girasse em torno do umbigo,
Já tinha parado de tanto castigo!