[Verso 1]
Antes do sol nascer, ele amarra a botina
Pega a marmita fria e encara a subida
Na obra, o pó vermelho gruda na camisa
Mas pensa nos dois filhos e na mulher querida
[Pré-Refrão]
A cabeça latejando, o joelho sem descanso
A coluna pede trégua, mas ele segue manso
Não existe porta fechada pra quem tem que alimentar
Ele engole a própria dor e volta a trabalhar
[Refrão]
Ele não pode ficar em casa
Mesmo quando o corpo diz que não
Tem dois meninos esperando o abraço
E uma mulher guardada no coração
Cada tijolo que ele levanta
É um pedaço do seu suor
Ele constrói a casa dos outros
Pra manter de pé o seu amor
[Verso 2]
Tem dia que a enxaqueca apaga até a estrada
E a dor na lombar deixa a perna pesada
No intervalo, encostado atrás da betoneira
Ele fecha os olhos um minuto e volta pra carreira
[Pré-Refrão]
Se pergunta quanto tempo ainda vai aguentar
Mas ouve a voz dos filhos chamando ao chegar
A dor fica pequena diante daquela mão
Que aperta a sua forte e devolve direção
[Refrão]
Ele não pode ficar em casa
Mesmo quando o corpo diz que não
Tem dois meninos esperando o abraço
E uma mulher guardada no coração
Cada tijolo que ele levanta
É um pedaço do seu suor
Ele constrói a casa dos outros
Pra manter de pé o seu amor
[Ponte]
Quando a noite cai, ele lava o rosto
Esconde o cansaço num sorriso bem disposto
Seus filhos não sabem o preço desse pão
Só sabem que o pai chegou e segurou sua mão
[Refrão Final]
Ele não pode ficar em casa
Mas merece descanso e proteção
Quem sustenta uma família inteira
Também precisa de cuidado e atenção
Cada tijolo que ele levanta
Carrega um sonho maior
Ele constrói a casa dos outros
E dentro da sua, é o herói
[Outro]
Amanhã, antes do sol nascer
Ele vai de novo, por eles viver