**[Verso 1]**
O santo chegou de fininho
Com seu jeito de bom cidadão
Fez carinho, espalhou alegria
E ganhou até condecoração
Teve beijo, promessa e abraço
Teve festa, foguete e troféu
Eu nem sabia da história
Mas já me reservaram o papel
**[Verso 2]**
Fez alguém morrer de alegria
Deu motivo pra comemorar
Todo mundo achou uma beleza
Ninguém tinha do que reclamar
Mas a festa virou tempestade
O sorriso perdeu seu lugar
O autor da felicidade
Nem precisou se explicar
**[Refrão]**
O pato sou eu!
O pato sou eu!
O santo fez a festa
E quem paga sou eu!
O pato sou eu!
Olha só que papel!
Ele fica com os aplausos
E eu com a conta do céu!
**[Verso 3]**
Se o santo apronta, é charme
Se promete, é por amor
Se a promessa vira fumaça
Foi o vento que levou
Ele sempre sai perfumado
Mesmo quando o caldo entornou
Eu nem cheguei perto da panela
Mas fui eu quem derramou
**[Verso 4]**
Não sou saco de batatas
Pra viver levando pontapé
Mas parece que nesta história
Só eu não mereço ter fé
O sujeito ganha medalha
Pelo bem que proporcionou
Mas se a alegria dá errado
Quem estragou tudo fui eu
**[Refrão]**
O pato sou eu!
O pato sou eu!
O santo fez a festa
E quem paga sou eu!
O pato sou eu!
Olha só que papel!
Ele fica com os aplausos
E eu com a conta do céu!
**[Ponte – malandra e irônica]**
Não quero tirar sua auréola
Nem disputar canonização
Mas se o milagre tem dono
Também devia ter prestação
Só que santo não paga imposto
Nem responde por confusão
Ele distribui felicidade
E eu assino a devolução
**[Refrão final – coro crescente]**
O pato sou eu!
O pato sou eu!
O santo ganhou os beijos
E o culpado sou eu!
O pato sou eu!
Já virou profissão!
Ele fica com a auréola
E eu com a prestação!
**[Final – breque instrumental]**
O santo saiu de fininho
Com a consciência em paz
Levou os beijos, os abraços
E a fama de bom rapaz
Eu fiquei com a batata quente
Com o prejuízo e o escarcéu
Ele continua santinho...
**E EU PAGANDO O ALUGUEL DO CÉU!**
**O PATO SOU EU!**