O PROBLEMA DO BRASIL É MAIOR DO QUE LULA OU BOLSONARO
Tem uma coisa que o brasileiro precisa começar a entender: a política não começa nem termina no presidente da República.
Muita gente vota contra Lula porque não gosta dele. Outros votam em Bolsonaro porque não gostam do Lula. Mas será que o problema do Brasil se resolve simplesmente trocando o presidente?
Eu acredito que precisamos olhar para algo muito maior: como o dinheiro público é arrecadado, distribuído, aplicado e fiscalizado em todos os níveis do governo.
Temos União, estados e municípios. Temos presidente, governadores, prefeitos, deputados, senadores e vereadores. Cada um possui responsabilidades diferentes, e existem órgãos de controle justamente para fiscalizar a utilização do dinheiro público.
Então, quando aparece uma obra superfaturada, uma contratação suspeita ou um recurso público que não chega ao resultado esperado, a pergunta não deveria ser apenas:
“A culpa é do presidente?”
A pergunta deveria ser:
Quem contratou? Quem autorizou? Quem fiscalizou? Quem recebeu? Quem deveria ter denunciado? O dinheiro foi aplicado corretamente? A obra realmente custou aquilo que foi pago?
É aí que o cidadão precisa prestar atenção.
Porque podemos trocar o presidente várias vezes, mas, se continuarmos elegendo representantes sem conhecer suas propostas, seu histórico e sua atuação, continuaremos tendo problemas.
E existe outro erro muito comum: achar que todo problema do município é responsabilidade do governo federal. Não é.
O prefeito administra o município. A Câmara de Vereadores fiscaliza o prefeito. O governador administra o estado. A Assembleia Legislativa exerce sua função de fiscalização. Deputados federais e senadores atuam no Congresso Nacional e também fiscalizam atos do governo federal.
Cada nível tem suas responsabilidades.
Por isso, o cidadão precisa parar de acompanhar política somente durante a eleição presidencial.
Precisamos saber quem é o nosso vereador. Quem é o nosso prefeito. Quem representa nosso estado na Assembleia. Quem são nossos deputados federais. Quem são nossos senadores.
E principalmente: precisamos acompanhar o dinheiro público.
Não importa se o político é de esquerda, direita ou centro.
Se for do meu partido e estiver errado, eu quero que seja investigado.
Se for contra o meu partido e estiver certo, eu quero reconhecer.
Dinheiro público não tem partido. É dinheiro do povo.
O maior erro talvez seja transformar a política em uma torcida de futebol: meu político pode tudo e o político adversário é culpado de tudo.
Não deveria ser assim.
Político não é ídolo. Político é representante.
E representante precisa prestar contas.
O Brasil não vai melhorar simplesmente porque trocou Lula por Bolsonaro, Bolsonaro por Lula ou qualquer outro nome.
O Brasil melhora quando o cidadão começa a estudar, verificar informações, acompanhar seus representantes, cobrar transparência e fiscalizar onde o dinheiro público está sendo aplicado.
Antes de pergunt