No desespero de querer viver,
Deixamos todo o tempo se passar.
Sem perceber deixamos de acolher,
Correndo atrás do que sonhou ganhar.
Devíamos viver de precisão,
Cuidar da casa, cultivar o bem.
Deixar o amor guiar o coração,
Sem precisar provar nada a ninguém.
É triste ver perder a própria saúde,
Pra trabalhar e conseguir o pão.
Gastar a vida e quando o tempo muda,
Gastar o dobro em busca de perdão.
Mansões enormes feitas com suor,
Depois da morte perdem o valor.
Quem fica herda e não consegue o luxo,
Tudo desaba sem o seu senhor.
Tudo é ilusão, pois quanto mais se ganha,
Mais se consome e gasta sem notar.
Se a dor chegar o ouro não acompanha,
E os herdeiros vão se endividar.
No alto padrão que já não existe mais,
Eles tentam de tudo pra segurar.
Mas a pobreza vence o que ficou pra trás,
E a ilusão começa a se quebrar.
O amor real está no que ficou,
Em cada riso e no que a gente deu.
Não se barganha o tempo que passou,
No fim da vida o brilho se perdeu.
A casa grande aos poucos fica só,
Ninguém quer ver, ninguém quer mais cuidar.
Manter o luxo vira um grande nó,
E a história linda vai se terminar.
Tantos palácios, lutas afinal,
Pra ver o sonho todo desfazer.
Não se carrega herança material,
Só resta o amor que a gente fez erguer.