[Verse 1]
No aniversário do Mano, bolo simples, mesa cheia,
respeitado na favela, conhecia cada viela.
Foi votar de camisa branca, título no bolso dobrado,
voltou enquadrado na esquina, por um crime inventado.
A mãe bateu no portão, mas ninguém quis escutar;
na cela, tio Hip Hop ensinou: “não deixa a dor te mandar.”
[Chorus]
Cinco reais, uma vida, um bairro inteiro a lembrar,
uma mãe chamando o filho sem poder atravessar.
Quem cresce vendo a perda pensa que vai revidar;
mas a casa que ficou pede outro jeito de lutar.
[Verse 2]
O primo vivia de K-pop, rap tocando no celular,
na porta do vendedor, cinco reais pra acertar.
Uma mulher disse: “Sai daí, hoje alguém vai se perder.”
Ele riu, deu dois passos; caiu antes de entender.
Morreu chamando a mãe, voz pequena no chão,
e a rua guardou o silêncio, a sirene e a oração.
[Verse 3]
Feio tossia fazia meses, sem consulta, sem cuidado,
tuberculose sem remédio, corpo fraco, quarto fechado.
Marcinho batia ponto, trazia compra e carvão,
dividia o pouco em casa, repartia o próprio pão.
A avó foi numa manhã; o avô, no fim do verão;
duas cadeiras vazias, mais peso no coração.
[Bridge]
Numa noite de cabeça quente, confundiu voz com ameaça,
um disparo, um amigo no chão — e o mundo perdeu a graça.
Foi atrás de quem jurava ter feito aquilo acontecer,
mas a vingança não devolve quem não pôde amanhecer.
[Chorus]
Cinco reais, uma vida, um bairro inteiro a lembrar,
uma mãe chamando o filho sem poder atravessar.
Quem cresce vendo a perda pensa que vai revidar;
mas a casa que ficou pede outro jeito de lutar.
[Outro]
A família fechou a porta pro dinheiro do perigo,
fez do quintal uma oficina, fez do cuidado um abrigo.
Mano ainda espera justiça, Marcinho chega do trabalho;
a dor não some da história — mas não manda no atalho.