[Verso 1]
Estou aqui pensando e delirando
Trilhas na minha frente
E fumaça na varanda
Muitas vozes pela sala
Meu livro passando de mão
Era a noite do lançamento
Meu nome em cada dedicatória
Entre abraços e palavras
Que em silêncio ensaiei
O livro que seria a salvação
Só foi aquilo que plantei
[Refrão]
Só foi aquilo que plantei
Criou raiz no assoalho
Abri o livro procurando o céu
Encontrei meu próprio retrato
Se você lembrar
Cante junto comigo
Que essa noite ainda tem
A voz de cada amigo
[Verso 2]
No corredor do prédio
Nossa risada corria
E a gente gastava a noite
Sem saber quanto devia
A trilha que no nariz aparecia
Prometia algum lugar
Mas o elevador descia
E eu continuava no andar
Você falava e eu perdia
O começo da conversa
E o Zé ouvia escondido
Atrás da porta entreaberta
[Verso 3]
Na moto que esquecemos
O escritor enfim chegou
Vinha lá de Campo Belo
E junto à mesa se sentou
Trouxe uma caixa de fósforos
Marcou o ritmo com a mão
O piano tomou fôlego
Zé entrou pelo refrão
E o escritor fez vida da cinza
Que na estrada encontrei
Tanta coisa naquela noite
Que só depois eu escutei
[Refrão]
Só foi aquilo que plantei
Criou raiz no assoalho
Abri o livro procurando o céu
Encontrei meu próprio retrato
Se você lembrar
Cante junto comigo
Que essa noite ainda tem
A voz de cada amigo
[Ponte]
Ficou um nome pela metade
Na última dedicatória
Alguém puxou a minha mão
Pra entrar na próxima história
O livro aberto entre os copos
A janela clareando lá fora
E a festa foi até o dia amanhecer
Ninguém pensava em ir embora
[Final]
O Zé guardo no coração
Com tudo que não falei
E o escritor fez vida da cinza
Que na estrada encontrei
Se você lembrar
Cante junto comigo
Do corredor daquele prédio
Do piano e dos amigos
Meu livro passando de mão
O sol entrando sem bater
Só foi aquilo que plantei
E vi florescer sem perceber
Se você lembrar
Cante junto comigo
A festa foi até amanhecer
E eu ainda canto contigo