[O ROTEIRO JÁ ESTÁ ESCRITO]
E se o destino já estiver traçado?
E se o caminho já foi escolhido?
E se o futuro que chamamos de nosso
For apenas um plano desconhecido?
A gente nasce querendo ser livre,
Aprende a sonhar, aprende a lutar…
Mas quem foi que escreveu as regras do jogo?
E quem nos permite sequer questionar?
[Verso 1 ]
Olho ao redor, vejo os mesmos cenários,
Promessas antigas vestidas de novo,
Mudam os nomes, mudam os discursos,
Mas quem paga a conta é sempre o mesmo povo.
Dizem que temos o poder da escolha,
Que basta querer para tudo mudar,
Mas há tantas portas que nunca se abrem,
Tantos caminhos que não posso trilhar.
Quem move as peças por trás das cortinas?
Quem determina quem pode chegar?
Será que escolhemos quem guia
nossas vidas
Ou só nos permitem pensar que é escolher?
[Pré-refrão ]
E eu sinto uma tristeza que não sei explicar,
É ver tantos sonhos cansados de esperar.
É querer gritar e precisar calcular
O preço que alguém pode nos cobrar.
[Refrão ]
Está escrito!
Quem escreveu, eu não consigo enxergar.
Somos peças de um jogo infinito,
Condenados a jogar sem poder mudar?
Dizem: escolha! Mas escolha o quê?
Se até nossos passos parecem previstos…
Somos livres apenas para obedecer
Dentro de um mundo de caminhos restritos.
E o mais triste não é não saber,
É sentir que não adianta tentar.
É ter uma voz presa dentro do peito
E mil razões para não a soltar.
[Verso 2 ]
Se eu digo o que penso, quem paga o preço?
Será que os meus filhos terão de pagar?
Se eu ergo minha voz contra aquilo que vejo,
Quem garante que vão me deixar caminhar?
E assim aprendemos a medir as palavras,
A esconder perguntas, a disfarçar opiniões.
Não por falta de coragem ou de consciência,
Mas por medo das possíveis retaliações.
E o silêncio se torna uma roupa diária,
Que vestimos tentando nos proteger.
Por fora, seguimos cumprindo os horários,
Por dentro, cansados de apenas viver.
[Pré-refrão ]
E quem se beneficia do nosso silêncio?
Quem ganha quando eu deixo de questionar?
Quem constrói o poder sobre o nosso receio
De perder o pouco que conseguimos guardar?
[Refrão ]
O roteiro já está escrito!
Quem escreveu, eu não consigo enxergar.
Somos peças de um jogo infinito,
Condenados a jogar sem poder mudar?
Dizem: escolha! Mas escolha o quê?
Se o medo decide o que posso dizer…
Somos livres apenas no nome,
Enquanto o mundo nos ensina a ceder.
E o mais tristenão é não saber,
É sentir que não adianta tentar.
É ter uma voz presa dentro do peito E mil razões para não soltar.
Quem somos nós?
Peças ou jogadores?
Somos apenas números?
Ou somos muito mais?
Quem decide o futuro?
Quem determina a verdade?
E se o medo nos cala,
Quem falará pela humanidade?
[Refrão final]
E se não houver escolha…
Por que ainda sonhamos?
E se tudo estiver decidido…
Por que ainda perguntamos?
Talvez o roteiro esteja escrito…
Talvez não esteja, afinal.
Mas que triste destino é este
Em que o medo parece normal…
E a liberdade uma palavra
Que aprendemos a repetir
Sem saber se podemos sentir.