Assim, a cigana, mais uma vez, imergia no
sonho que, quase todas as noites, vinha lhe assaltar.
No deserto sem fim, livre ao vento, montada
em um belo cavalo, corria, sem destino, a cigana.
Suas pernas, fugindo às volantes saias que as
adornavam, e seus negros cabelos, sob o desalinhar
do vento, compunham-lhe, então, a imagem da
liberdade em forma de mulher.278
Pelas patas daquele cavalo, que, livremente,
a cigana cavalgava, a areia do deserto, ao vento, se
erguia. Porque, no lombo daquele animal, destino
não possuía, pulsava, nas veias daquela nômade, o
sentimento de um ser definitivamente liberto.
Sim! Um ser definitivamente liberto! Era esse
o sentimento de uma cigana, que, mais uma vez,
imergia em um sonho que, quase todas as noites,
vinha lhe assaltar.
Era triste, portanto, quando o terminar da
noturna quimera trazia-lhe a realidade. Nem deserto
nem cavalo ali havia. E as muralhas da Vida Eterna
ainda lhe aprisionavam.