Abre alas, minha gente,
que a razão vai desfilar!
Se o mundo pensa diferente,
é o mundo que tem que mudar.
Nunca erra, nunca falha,
nunca perde a direção.
Se tropeçou, foi a calçada.
Se caiu, a culpa é do chão.
Se perdeu, a rua estava errada.
Se atrasou, tinha razão.
Se a conta não fecha direito,
errou a matemática então.
Conselho tem de sobra,
mas conselho não quer ouvir.
Se a verdade não agrada,
é a verdade que deve sair.
REFRÃO
Olha o umbigo! Olha o céu!
Abre alas pra razão!
Se o universo não concorda,
troca-se o universo então!
Olha o umbigo! Olha o céu!
Deixa a avenida cantar:
se o mundo não gira em torno,
manda o mundo se acertar!
Modéstia nunca faltou,
isso é bom esclarecer:
passa horas explicando
como é difícil ser
tão incrível, tão brilhante,
tão difícil de igualar.
Quando o espelho dá bom-dia,
já começa a se admirar.
Crítica aos outros é análise.
Crítica recebida, agressão.
Palpite dado é sabedoria.
Palpite ouvido, provocação.
Se perdeu uma discussão,
foi defeito na plateia.
Se ninguém bateu palma,
a culpa também foi da plateia.
REFRÃO
Ô, abre alas, deixa passar,
chegou a perfeição!
O mundo inteiro está errado,
menos essa opinião!
Olha o umbigo! Olha o céu!
Pode a escola confirmar:
se existe alguém mais perfeito,
ainda está pra desfilar!
A Terra gira sem consulta.
O Sol insiste em clarear.
A Lua muda de fase
sem autorização pra mudar.
Que absurdo esse universo!
Que falta de educação!
Bilhões de anos funcionando
sem pedir uma opinião.
REFRÃO FINAL
Olha o umbigo! Olha o céu!
Bate forte o coração!
O universo é infinito,
mas o umbigo tem razão!
Olha o umbigo! Olha o céu!
Deixa a avenida cantar:
se Deus tiver outra opinião,
Deus que trate de mudar!
E o mundo segue girando,
sem licença ou aprovação.
Que mundo mal-educado:
ainda pensa que tem razão!