Saí de mim pra conhecer o mundo,
levei no peito um céu particular,
duas estrelas iluminando o escuro
e uma vontade louca de viajar.
Perguntei à lua onde a noite acaba,
ela iluminou o que eu não consegui ver.
Talvez a distância seja só uma estrada
que quanto mais se anda, faz a gente se entender.
Sou viajante do universo,
vou por fora, volto por mim.
Quanto mais distante eu chego,
mais me encontro perto do fim.
Sou viajante do universo,
sem começo pra terminar.
Quando penso achar o caminho,
é o caminho que começa a andar.
Encontrei o tempo perdendo seu tempo,
encontrei o espaço procurando um lugar,
vi amanhã chegando ontem à noite
e o presente com vontade de passar.
Procurei respostas pelo infinito,
mas toda resposta voltou a perguntar.
Quanto mais distante parecia meu destino,
mais perto de mim eu conseguia chegar.
Sou viajante do universo,
vou por fora, volto por mim.
Quanto mais distante eu chego,
mais me encontro perto do fim.
Sou viajante do universo,
sem começo pra terminar.
Quando penso achar o caminho,
é o caminho que começa a andar.
Vi meu pai numa estrela antiga,
meus filhos numa estrela por nascer,
vi o amor atravessando tantas vidas,
vi a vida sem vontade de envelhecer.
Abri minha mão, a saudade voou,
fechei minha mão, a saudade ficou.
Abri outra vez, ela estava comigo.
Quem parte nem sempre consegue partir.
Algumas coisas mudam de lugar,
mas continuam morando na gente.
Como uma estrela que deixou de brilhar
e ainda ilumina aquilo que sente.
Sou viajante do universo,
universo viajando em mim.
Quanto mais procuro o começo,
mais começo perto do fim.
Sou viajante do universo,
sem planeta pra estacionar.
Quanto mais procuro o caminho,
mais o caminho começa a andar.
Talvez eu não seja o viajante.
Talvez seja tudo ao contrário.
Talvez o universo esteja viajando...
e eu seja apenas
o itinerário.
Procurei o tudo, encontrei o nada,
procurei o nada, encontrei meu olhar.
Procurei o futuro no fim da estrada,
quando ele chegou já queria passar.
Então percebi, no silêncio do espaço,
que o universo também mora em mim.
Enquanto eu vivo, enquanto eu amo,
a minha viagem não chega ao fim.
Eu vivo.
Eu amo.
Eu existo.
E enquanto existo,
continuo a viajar.
Ainda estou indo.
Ainda estou indo.
Ainda estou indo...
sem precisar chegar.