[Verse 1]
No baile do seu Zeca, poeira no salão,
Cheguei de peito estufado, chapéu na mão.
Vi a dona Rosinha, rainha do lugar,
Pedi: “Me dá essa dança?” Ela nem quis olhar.
[Pre-Chorus]
Disse “hoje não, cabra, pode se aquietar”,
Meu sorriso ficou torto, meu orgulho foi pro ar.
[Chorus]
Eu saí pisando duro, sem saber pra onde ir,
Com um pó mico no bolso e vontade de fingir.
Joguei por cima do salão, feito farinha no fogão,
Coçou vestido, coçou paletó — acabou-se o arrasta-pé, meu irmão!
[Verse 2]
O sanfoneiro parou no meio do baião,
Um coçou a nuca, outro coçou o calção.
Rosinha riu de canto: “Que vingança sem valor;
Quem espalha coceira no baile não conquista meu amor.”
[Pre-Chorus]
Vi casal correndo, vi chapéu voar,
E o salão tão cheio ficou vazio num piscar.
[Chorus]
Eu saí pisando duro, sem saber pra onde ir,
Com um pó mico no bolso e vontade de fingir.
Joguei por cima do salão, feito farinha no fogão,
Coçou vestido, coçou paletó — acabou-se o arrasta-pé, meu irmão!
[Bridge]
Agora quando eu passo, ninguém me chama pra dançar,
Nem a poeira do terreiro quer comigo levantar.
Rosinha guarda o riso, eu guardo a lição:
Não se joga pó no baile por causa de um “não”.
[Final Chorus]
Eu saí pisando duro, sem saber pra onde ir,
Com um pó mico no bolso e vergonha de admitir.
Joguei por cima do salão, mas perdi foi a razão,
Coçou vestido, coçou paletó — e eu fiquei sem forró, meu irmão!
[Outro]
Sem forró, sem par, sem moral pra contar,
E a dona Rosinha? Foi dançar noutro lugar.