Título: “Moda de Cem Anos”
(Introdução falada)
Vou contar uma história
Lá do sertão do amanhã
Onde a viola ainda chora
Mesmo em estrada de titânio e manhã...
(Verso 1)
Daqui cem anos nesse mundo moderno
Talvez nem exista poeira no chão
As cerca de arame virou luz brilhando
Mas o sertão bate no coração
O boi pode até ser máquina brava
Puxando o arado de precisão
Mas o caboclo vai cantar na varanda
Moda triste pra espantar solidão
(Refrão)
Ai, ai, ai...
Daqui cem anos eu quero ver
Se a viola de fibra ainda vai gemer
Se o chapéu de palha vai ter valor
Ou se o progresso levou nosso amor
Ai, ai, ai...
Pode mudar trem, estrada e lugar
Mas o sertanejo não vai deixar
De prosear pra lua no terreirão
Com saudade e fé no coração
(Verso 2)
Talvez o cavalo seja de aço
Voando ligeiro no estradão
Mas ainda vai ter peão apaixonado
Lembrando a morena na imensidão
As estrelas podem ser diferentes
No céu coberto de projeção
Mas São João vai ter fogueira acesa
E sanfona puxando canção
(Refrão)
Ai, ai, ai...
Daqui cem anos eu quero ver
Se a viola de fibra ainda vai gemer
Se o chapéu de palha vai ter valor
Ou se o progresso levou nosso amor
(Ponte)
Porque raiz não morre com o tempo
Nem tradição perde seu lugar
O futuro pode ser moderno
Mas o sertão sempre vai cantar
(Final)
Daqui cem anos ou mais além
No peito simples de alguém
Vai ter saudade, viola e paixão
Na velha moda do meu sertão...
Ai, ai, ai...
No velho moda do meu sertão.