[Verso 1]
Faz tanto tempo que saí
Que já nem lembro de onde vim.
Gastei a sola dos sapatos,
Mas a estrada não tem fim.
Caí onde ninguém olhava,
Me ergui sem tempo de chorar.
Mal encontrava o equilíbrio,
Já me mandavam caminhar.
[Verso 2]
Guardei meu grito no trabalho,
Deixei meu sono pra depois.
Reparti o pouco que eu tinha,
Carreguei o peso por dois.
E me chamaram de tão forte
Que tive medo de contar:
Às vezes passo o dia inteiro
Procurando onde encostar.
[Pré-refrão]
Se eu parar por um minuto,
Quem eu vou decepcionar?
Depois de tudo o que eu vivi,
Por que não posso descansar?
[Refrão]
Estou cansado…
Você consegue me escutar?
Eu não me entrego,
Só preciso respirar.
Senta aqui ao meu lado,
Deixa o mundo esperar.
Eu preciso ouvir de alguém:
“Chega. Pode descansar.”
[Interlúdio instrumental]
[Verso 3]
A cada queda, uma cobrança.
Voltei com menos de mim.
Fiz do silêncio companhia,
Disse que não era tão ruim.
Há tanta gente ao meu redor,
Mas sigo sem poder falar.
Perguntam quando vou chegar,
Nunca se posso caminhar.
[Ponte — quase falada]
Eu sei continuar.
Foi o que mais aprendi.
Mas hoje eu peço: fique.
Não espere mais de mim.
Puxe uma cadeira.
Eu preciso lhe contar
Tudo aquilo que calei
Pra continuar a andar.
[Refrão final]
Estou cansado…
Fica um pouco pra escutar.
Ainda guardo tantos sonhos,
Mas preciso repousar.
Senta aqui ao meu lado,
Deixa o mundo esperar.
Deixa eu ouvir mais uma vez:
“Chega. Pode descansar.”
[Coda — segunda voz]
“Deixe os sapatos na porta,
Eu trouxe água pra você.
Não precisa explicar tudo,
Nem saber o que dizer.
Amanhã a gente conversa.
Hoje eu posso ficar.
Você já andou tanto…
Pode descansar.”