Acordei no mesmo banco
Vi a cidade despertar
A velha pedra no caminho
Sem vontade de chutar
Um cigarro esquecido
Um copo sem explicação
Meus fantasmas têm endereço
Mas não pagam prestação
O velho apontou a estrada
Sem dizer aonde ia dar
Passei a vida procurando
Sem saber o que encontrar
Gastei noites procurando
O que ninguém soube dizer
De tanto cobrar respostas
Quase esqueci de viver
Ponto! Depois continuo!
Ainda tenho onde pisar
Se o mundo muda de rumo
Eu também posso mudar
Ponto! Depois continuo!
Sem promessa de acertar
A pedra continua ali
Mas não preciso mais chutar
Rita passa pela fumaça
Sem dizer se vai voltar
Feira abre suas portas
Sem perguntar quem vai entrar
Vi meu rosto em outros rostos
Vi meus planos envelhecer
Alguns fantasmas não partem
Nem precisam desaparecer
O rádio toca uma lembrança
De um tempo que não voltou
Há histórias que terminam
Sem saber que acabou
Já não cobro do destino
O que ele não pode dar
Se não sei onde termina
Não preciso adivinhar
Ponto! Depois continuo!
Ainda tenho onde pisar
Se o mundo muda de rumo
Eu também posso mudar
Ponto! Depois continuo!
Sem promessa de acertar
A pedra continua ali
Mas não preciso mais chutar
Já fui sonho, já fui sombra
Já fui tudo que neguei
Fui juntando meus pedaços
Nas esquinas onde andei
Não sou santo, nem profeta
Nem pretendo descobrir
Se o mundo tem algum sentido
Ou só insiste em existir
Ponto! Depois continuo!
Ainda tenho onde pisar
Se a estrada perde o rumo
Deixo os passos me levar
Ponto! Depois continuo!
Não há nada pra provar
A pedra continua ali
E eu não preciso mais chutar
O velho já foi embora
A praça começa a acordar
A pedra continua ali.
Eu também.
Ponto.
Depois continuo.