POR QUE LOGO VOCÊ?
[Verso 1 — íntimo, voz e violão]
Eu me pergunto por que você,
logo você,
que eu não conheço de verdade,
que não tenho amizade,
que não tenho história pra contar.
Eu não queria sentir.
Não é que eu não possa,
eu só não queria.
Mas quando você passa perto,
eu perco o chão,
perco as palavras,
perco até a lembrança
do que você acabou de falar.
[Pré-refrão — começa a crescer]
E depois que você vai,
eu volto pra mim,
mas a cena fica aqui.
E eu nem sei explicar
por que um segundo ao seu lado
faz tanto barulho em mim.
[Refrão — crescente, marcante]
Por que você?
Por que logo você?
Que não deveria ter espaço
e ocupa tanto aqui dentro.
Por que tão distante?
Por que nem um olhar,
nem uma palavra sequer,
e você consegue chegar
onde ninguém chegou?
Por que você?
Por que logo você?
Se eu não pedi,
se eu não quis,
se eu não procurei...
Por que você ficou tão grande
aqui dentro do meu peito,
se você não deveria?
[Verso 2 — volta um pouco, mais melódico]
Por que não alguém
que soubesse que eu existo?
Alguém que pudesse olhar pra mim
e talvez enxergar alguma coisa também?
Por que não alguém possível?
Alguém próximo,
alguém que pudesse corresponder?
Por que tinha que ser você,
justamente você,
que passa tão perto
e continua tão longe?
Eu não quero correr atrás.
Não quero pedir pra ficar.
Não quero transformar isso
numa história que não existe.
Eu só não sei
o que fazer com aquilo
que existe em mim.
[Pré-refrão — mais forte]
Então eu escrevo.
Eu canto.
Eu transformo.
Se não posso explicar,
pelo menos posso criar.
[Ponte — quebra, quase falada]
Porque o amanhã não nos pertence.
Quem pode dizer
que haverá outro encontro?
Outro corredor?
Outro elevador?
Outro acaso?
Quem pode garantir
que haverá amanhã?
Então, enquanto existe hoje,
eu não vou correr atrás de você.
Mas se eu puder transformar
o que sinto em música,
eu vou.
Se virar verso,
eu escrevo.
Se virar canção,
eu canto.
Não pra que você venha.
Não pra que você fique.
Nem pra que você sinta o mesmo.
É só porque alguma coisa em você
acordou alguma coisa em mim.
[Último refrão — grande, aberto, emocional]
Por que você?
Por que logo você?
Que não deveria ter espaço
e ocupa tanto aqui dentro.
Por que tão distante?
Por que nem um olhar,
nem uma palavra sequer,
e você consegue chegar
onde ninguém chegou?
Por que você?
Por que logo você?
Eu não sei se isso é amor,
não sei se é paixão,
nem sei que nome dar.
Eu só sei que quando você passa,
eu esqueço até de respirar.
E se amanhã não vier,
eu pelo menos vou saber:
eu transformei o inexplicável
em verso,
em música,
em canção.
E talvez você nunca saiba...
Mas foi você.
Logo você.