Então deixa eu te prender de vez — não com corrente, com verso.
Pra você ler, sentir e não conseguir mais sair:
Pra você ficar
Eu quero você inteira no meu verso,
não só de passagem,
quero te prender na minha poesia
como quem prende um perfume na camisa —
pra ficar.
Quero tocar sua pele clara
só com a ponta dos dedos,
bem de leve no começo,
só pra te ver arrepiar,
só pra te ver fechar os olhos
e me pedir — sem falar — pra não parar.
Quero misturar o perfume da minha camisa no seu corpo,
deixar meu cheiro no seu pescoço,
na sua nuca, no seu colo,
pra que quando você se deitar sozinha,
ainda seja eu quem te abraça.
Quero me perder no seu traço mais bonito,
e já me perdi —
no jeito que você sorri quando está com vergonha,
no jeito que morde o lábio quando quer ser beijada,
no jeito que o seu corpo me chama
antes mesmo da sua boca.
Quero decifrar teu segredo
com a senha do meu desejo,
soletrando baixinho cada parte sua,
descobrindo onde você suspira mais fundo,
onde você se entrega,
onde você se esquece do mundo e só lembra de mim.
Quero te mimar com rara felicidade,
aquela que não se explica, só se sente,
na pele suada, no beijo que demora,
no abraço que aperta e diz:
fica.
E eu já arquitetei o plano perfeito
pra te roubar pra mim —
não vou te levar à força,
vou te levar com verso, com toque, com vontade.
Você vai vir por livre e espontânea sede,
vai se deitar na minha poesia,
e quando perceber,
já vai ser minha.