VOCÊ PROMETEU NÓS dois
[Introdução – falada]
Eu procuro em vão o instante exato em que o nosso infinito particular parou de ser um plano de futuro e se transformou em pó de lembrança...
Enquanto eu me perdia na segurança mansa das suas palavras, você, em silêncio, já ensinava os seus passos a caminharem longe dos meus.
E o que arde no peito não é a partida em si, mas a certeza cruel de que eu permaneci inteira guardando uma promessa que, para você, já havia se apagado no vento.
[Verso 1]
Você cruzou o meu caminho justamente quando eu já havia desistido de buscar abrigo,
e fez morada mansa onde o tempo antes só trazia o frio.
Bastaram fragmentos de frases, um olhar seguro e sincero,
para que os seus anseios despertassem em mim a coragem de sonhar de novo.
Você desenhou o amanhã com a calma de quem planejava ficar,
revelou dias inteiros ao seu lado como se fossem o nosso destino natural.
E eu, cega de confiança, guardei cada detalhe e cada promessa na alma,
como quem recolhe sementes sabendo que a colheita viria logo mais.
Você repetia com firmeza: “Vai dar certo, confia em mim”,
e eu entreguei a chave do meu peito sem hesitar.
Eu só não fui capaz de enxergar a armadilha do teu próprio labirinto:
o nosso futuro era apenas um mapa que você nunca teve a intenção de alcançar.
[Pré-refrão]
E agora, perdida nesse silêncio que ficou, eu varro os escombros do passado
tentando decifrar em qual esquina exata os nossos passos se desencontraram.
Se o que transbordava nos seus olhos era amor genuíno no instante do juramento,
por que a sua coragem evaporou justamente no dia em que eu decidi acreditar?
[Refrão]
Você jurou o universo inteiro para nós dois,
mas no fim da estrada restou apenas o eco frio da minha própria solidão.
Prometeu a promessa inteira de um amanhã construído a quatro mãos,
mas me devolveu apenas os cacos secos de uma realidade sem direção.
Você apertou os meus dedos e jurou que jamais soltaria a minha mão,
mas a soltou na primeira curva, sem um pingo de explicação, sem um porquê.
Eu lamento a dor de ter perdido o que achei ser o amor da minha vida,
mas o veneno que corrói por dentro não é a ausência...
É saber que você tinha a opção de ficar e escolheu sumir.
[Verso 2]
Ficou faltando o teto que a gente tanto idealizou chamar de nosso,
o abraço apertado de boas-vindas após o cansaço de um dia inteiro longe.
Ficaram suspensos os domingos preguiçosos e as madrugadas longas de conversas infindáveis,
cortadas pela raiz antes de florescerem de verdade.
O relógio foi cruel e negou o tempo que nos era de direito,
impedindo que a gente descobrisse o tamanho real do que poderíamos ser.
Nossa biografia desabou no meio do trajeto, estagnada e sem fôlego,
presa na corda bamba entre o que a alma queria e o que os seus medos impediram de viver.
E arrisco dizer que você transita por aí sem calcular o peso do estrago,
sem medir o tamanho do vazio imenso que empurrou para o meu lado.
Enquanto você girava a chave e trancava definitivamente todas as po