O tempo sopra as folhas do passado,
desenha novos ventos no horizonte.
Muda a paisagem, o curso do riacho,
o espelho que nos olha de outra ponte.
Mudar é dar permissão ao futuro,
é deixar que o velho casulo se rompa.
O passo incerto tateia no escuro,
mas traz a bússola que o peito aponta.
E no altar frágil de cada partida,
fazemos promessas de alma e de barro:
sermos mais livres na curva da vida,
colher o trigo, esquecer o escarro.
Prometemos ser porto, e não tormenta;
guardar o que importa, soltar o que pesa.
Pois toda mudança que o vento inventa
é a vida cuidando da própria beleza