[Intro]
Quem forma o eu? Quem muda o chão?
Na Psicologia Social, pergunta é ação.
[Verse 1]
Não nasci pronto, nem sou ilha isolada,
A vida me atravessa, me ensina, me faz fala.
Família, trabalho, história: forças em relação,
Sou feito pela sociedade — também posso transformá-la, então.
Silvia Lane rompe o molde que reduz tudo ao biológico,
Contra a ideia de um sujeito fixo, universal, psicológico.
Não basta medir indivíduo como peça natural:
É preciso ver seu tempo, seu vínculo social.
Ciência não é neutra, tem lugar e direção,
Toda escolha de pesquisa carrega uma posição.
Perguntar quem ganha, quem fica sem voz,
É abrir a própria prática e rever o que há em nós.
[Chorus]
A gente se faz no mundo, o mundo pode se refazer,
Conhecer é tomar partido: compreender pra intervir.
Da vida concreta à história, do sentido à ação,
Psicologia com compromisso, não observação sem chão.
[Verse 2]
Na pesquisa-ação, investigar também transforma,
Com quem vive o problema, criando outra norma.
Não é falar pelo povo, nem chegar com solução:
É produzir saber junto, em diálogo e ação.
Leontiev mostra a atividade: motivo, objeto, fazer,
No significado social, o que aprendemos a dizer.
Mas sentido pessoal é o vivido por cada pessoa,
Pode cruzar o significado — ou mostrar a vida que destoa.
Ao objetivar, nossa ação deixa marcas na cultura;
Na apropriação, cada geração aprende essa estrutura.
Mas sob o capital, trabalho pode se alienar:
O que eu crio me confronta, sem poder me orientar.
[Chorus]
A gente se faz no mundo, o mundo pode se refazer,
Conhecer é tomar partido: compreender pra intervir.
Da vida concreta à história, do sentido à ação,
Psicologia com compromisso, não observação sem chão.
[Bridge]
Na ditadura, a Psicologia também teve contradição:
Silêncio, controle e adaptação — mas houve contestação.
Quem recebe salário vive condições de trabalho,
E compromisso social se constrói no cotidiano.
Ana Bock insiste: olhar crítico e implicação,
Não é favor nem slogan: é responsabilidade na profissão.
Yamamoto e Lacerda perguntam, sem disfarçar:
A Psicologia enfrenta a pobreza ou ajuda a administrar?
[Verse 3]
Se a miséria vira número, se a causa fica escondida,
Gerir a pobreza não muda a regra que organiza a vida.
É preciso ver políticas, desigualdade e poder,
E escutar quem luta enquanto tenta sobreviver.
Sem culpar o indivíduo por um mundo desigual,
Sem chamar adaptação de cuidado social.
A teoria ganha corpo quando encontra a realidade,
E a prática se transforma com rigor e coletividade.
O eu não é destino, nem sociedade é prisão:
Entre limite e mudança, seguimos em construção.
[Final Chorus]
A gente se faz no mundo, o mundo pode se refazer,
Conhecer é tomar partido: compreender pra intervir.
Da vida concreta à história, do sentido à ação,
Psicologia com compromisso, não observação sem chão.
[Outro]
Pesquisar, refletir, agir em comum:
O sujeito é história — e história não é nenhum um.